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*Por Dayana Molina, stylist & ativista indígena – @molina.ela

Respeitem o povo originário dessa terra como respeitam outros racializados

As lutas não são propriedades privadas. Os territórios, tão pouco. Os mundos colonizados estão frequentemente divididos. Imposições de processos territoriais que mapeiam influências de poder. Vide o Tratado de Tordesilhas, um documento assinado em junho de 1494, na vila espanhola de Tordesilhas. Os protagonistas colonizadores foram Portugal e Espanha, que delimitaram, através de uma linha imaginária, as posses portuguesa e espanhola no território da América do Sul, chamado de “Novo Continente”.

O objetivo era acabar com as disputas de território desde que o novo continente havia sido invadido, dois anos antes. Essa é uma prática altamente violenta e colonial. A chegada desses senhores mudou completamente o marco da história para os povos nativos de Abya Yala, ou seja, a América Latina.

Sem o senso de coletividade, nenhuma luta se fortalecerá. Antes de falar de nordeste ou sudeste, precisamos falar de Pindorama. Não adianta sermos territorialistas ao ponto de esquecer que todo Brasil é território indígena. Nossos povos nativos, são constantemente esquecidos dessas pautas. Essa prática é eurocêntrica e opressora. Independente de repartições geográficas, fomos explorados, saqueados, marginalizados, estereotipados e colocados à margem.

Essa inversão de valores, resultou na desigualdade social que se arrasta até os dias atuais. Vocês ainda lembram dessa parte da história? Nesse sentido, vale bater no peito pelo orgulho nordestino, se nos invisibilizam quanto nação indígena?

Falamos muito de colonialidades e contemporaneidades. Mas equivocadamente, muitos cometem um erro estrutural. Se queremos construir uma sociedade mais igualitária socialmente, é necessário fazer desta primícia, uma bandeira prioritária na luta antirracista.

Respeitem e promovam o povo originário dessa terra com a mesma força que o fazem por outros corpos racializados.

Nossos antepassados continuam gritando por justiça social. Muitos deles através dos filhos e filhas, netos e netas que o sistema da morte não exterminou. Para uma sustentabilidade sistêmica, precisamos nos comprometer e promover a diversidade. Fomentar culturas e racialidades é uma resolução ética e anti-colonial.

Frantz Fanon, em Os condenados da terra, escreve: “O mundo colonial é um mundo compartimentado. Sem dúvida que é inútil, no plano da descrição, recordar a existência de cidades indígenas e cidades europeias, de escolas para indígenas e escolas para europeus, assim como não adianta nada recordar o apartheid na África do Sul. Não obstante, se penetrarmos na intimidade dessa separação em compartimentos, poderemos pelo menos pôr em evidência algumas das linhas de força que ela comporta. Esta visão do mundo colonial, da sua distribuição, da sua disposição geográfica, permite-nos delimitar os ângulos a partir dos quais se reorganizará a sociedade descolonizada.”

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