Fashion Revolution

Moda, Consumo e Sustentabilidade: Uma relação paradoxal

Que o mundo em que vivemos está com data de validade, todos já sabem. Ou pelo menos, deveriam saber. E por mais que ainda insistimos em viver à moda antiga, cada vez mais o Planeta o qual habitamos grita por mudanças. E da Moda, terá que vir algumas delas

Foto: Anna Sullivan/Unplash
Foto: Anna Sullivan/Unplash
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Uma das formas mais fáceis de entender a sustentabilidade é através do tripé social, econômico e ecológico. Mas não apenas por meio dele. Segundo o Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum de 1988, esta ainda poderia ser compreendida por meio de um tipo específico de desenvolvimento: aquele que satisfaz as necessidades dos presentes de forma a não comprometer, de forma alguma, as habilidades das gerações futuras de satisfazerem as suas.

Ou seja: podemos pensá-la de uma forma ou de outra, mas ainda sim o resultado seria igual: a moda (como a conhecemos hoje) promove de forma inegável sentidos antagônicos (e, diga-se de passagem, paradoxais) à sustentabilidade. E por mais que este alarme tenha sido disparado anos atrás, parece que nós como consumidores e a indústria como produtores, insistimos em não o ouvir.

Moda versus Consumo

Segundo uma pesquisa realizada pelo Taboo in Fashion, 30% das roupas produzidas nunca são vendidas. Ou seja, 3 em cada 10 peças de roupas não são compradas. E o pior? Enquanto 1 em cada 5 que consumimos são descartadas sem nunca terem sido usadas, 12,8 mil toneladas de peças são enviadas a aterros sanitários de forma anual (ShareCloth).

Nesse sentido fica muito claro dizer que cada vez mais, e a partir de supostas necessidades, compramos o que não precisamos e incentivamos a produção (incessante) de um amontoado de coisas sem valor. Por quê? Porque quanto mais consumidos mais a indústria produz. E consequentemente, quanto mais ela produz, mais compramos sem nem ao menos refletir sobre o que estamos de fato levando para casa.

E é nessa relação de produção e consumo, ambos respaldados pela valorização do culto ao novo, que a conta não fecha. Pelo contrário. Nos deixou (e há algum tempo) em uma dívida tremenda para com o Planeta. Culpa da moda? Sim, a culpa é dela, mas também de relações superficiais.

Sustentabilidade x Relações Superficiais

Quando compramos algo, majoritariamente estamos comprando com base em uma relação extremamente superficial: a do ter. Quando estamos focados em ter algo (ou no caso, uma peça de roupa) apenas pelo desejo incessante de o possuir, não analisamos, não pensamos e não ponderamos. Simplesmente compramos.

Seja impulsionado por descontos distópicos ou campanhas de marketing alusivas, a resposta sempre será a mesma. Compramos porque somos induzidos a comprar. E o que isso tem de sustentável? Absolutamente nada.

O motivo? Mais do que estar respaldada sob uma lógica produtiva que não faz nada bem para o meio ambiente, a moda hoje insiste em um sistema que não mais se sustenta. E isso no sentido literal da coisa toda. Enquanto não mudarmos a lógica insustentável que está por trás de todo o sistema da moda, jamais a tornaremos sustentável, ou minimamente benéfica a nós e ao Planeta.

Por quê? Porque mais do produzir de maneiras ambientalmente corretas, faz-se necessário cada vez mais questionar se tal produção, e consequentemente consumo, é realmente, impreterivelmente, verdadeiramente necessária.

Erika Gottsfritz
Graduanda em Design de Moda e futura socióloga. É co-fundadora e editora do projeto de comunicação de moda independente Trameiras e colunista nas horas vagas. Leva a arte como uma filosofia, a leitura como sua terapia e adora tramar sobre o mundo lá fora.

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