Fashion Revolution

Por que a moda parece insistir em se manter em dívida com o Planeta?

A indústria insiste em renunciar à linearidade

Imagem: iStock
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Não dá para negar que estamos acostumados a falar das mudanças climáticas como quem fala de um primo distante, daqueles que a gente nunca nem viu, só ouviu falar. Mas, no caso das mudanças climáticas, a verdade é que elas estão aí. Ignorando-as ou não, elas existem. E não vão retroceder até que implementemos algumas mudanças drásticas.

E é inegável: da moda, inúmeras dessas mudanças terão que partir. Mas se por um lado estamos encarando esse fato há alguns bons anos, por outro, alternativas estão sendo implementadas a passos de tartaruga. O motivo? Essa indústria insiste em renunciar à linearidade.

O problema está na linearidade

Definitivamente, não vivemos em um mundo onde fatos ocorrem de maneira isolada. Muito pelo contrário. Vivemos em um mundo em que absolutamente tudo está conectado. E digo mais, no qual tudo ocorre em ciclos e em sintonia. Do ciclo da chuva que provê a água que bebemos, a circularidade e ciclicidade das estações do ano, a mãe natureza nos mostra a beleza de sistemas que se renovam de forma constante e que são perfeitamente equilibrados.

Por quê? Porque possuem começo, meio e fim. E a moda copia esse sistema a imagem e semelhança? Nem de perto. Ela ignora a ciclicidade natural da vida a partir do perfeito oposto da circularidade, optando pela nada sustentável linearidade.

E a linearidade o que faz? Ignora o todo. Ignora o fato de que, ao produzir uma peça de roupam ela vem da terra e volta para a terra. Ela ignora que o sistema da moda faz parte de um sistema muito maior e complexo. O sistema da vida.

Circularidade: um caminho possível. Mas ainda utópico

Mas ter isso em mente é suficiente? Infelizmente, não. Há tempos que ouvimos falar da circularidade na moda como subproduto da economia circular. E, apesar de ser um caminho extremamente possível (e saliento, necessário) para evitarmos futuras catástrofes climáticas, esta ainda se parece como um primo distante do qual só ouvimos falar.

Por quê? Porque apesar da circularidade ser um meio poderosíssimo para contornarmos a situação, e literalmente salvar o Planeta, ele esbarra em uma complicadíssima questão: nós como seres humanos queremos ser melhores do que as demais espécies. Um absurdo? Definitivamente, sim. Mas é justamente nessa visão separatista que coloca a raça humana como algo que transcende a natureza, que se encontra o problema. Um problema, aliás, que é da indústria da moda, mas não somente dela.

Erika Gottsfritz
Graduanda em Design de Moda e futura socióloga. É co-fundadora e editora do projeto de comunicação de moda independente Trameiras e colunista nas horas vagas. Leva a arte como uma filosofia, a leitura como sua terapia e adora tramar sobre o mundo lá fora.

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