Política

A ligação entre a fraude nos kits de robótica de aliados Lira e um escândalo do governo Temer, segundo a PF

O mecanismo usado nos dois esquemas, aponta a corporação, seria o mesmo, bem como parte dos agentes envolvidos nos desvios de recursos do FNDE

Fotos: Agência Senado e Reprodução
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A Polícia Federal apontou, no curso das investigações, uma ligação entre a suposta fraude na compra dos kits de robótica – esquema protagonizado por aliados de Arthur Lira (PP-AL) – e um outro caso de corrupção no Ministério da Educação durante a gestão de Michel Temer (MDB) no Planalto. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com a publicação, há ligações financeiras entre os alvos da operação Hefesto, que mira aliados de Lira, e da operação Literatus, deflagrada pela PF em 2021 para apurar compras suspeitas de materiais escolares pelo governo Temer.

As informações indicam ainda que a origem do dinheiro supostamente desviado nos dois casos é o mesmo: o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do MEC sob o comando do Centrão.

Há ainda, na Literatus, a citação ao empresário Edmundo Catunda, aliado político de Lira e ponto central da Hefesto. É dele a Megalic, empresa que fornece os kits de robótica com suspeitas de superfaturamento.

Edmundo Catunda (1º da esq. para a dir.) e seu filho, o vereador João Catunda (4º da dir. para a esq.) reúnem-se com Lira e outros líderes do PP

Na Literatus, importante dizer, ele não consta como um investigado, mas é citado no curso das apurações. Naquela ocasião, o principal alvo da operação, Antônio Fernando Mendes da Silva Júnior, dono da GM Quality Comércio Ltda, transferiu mais de 480 mil reais para uma empresa de Catunda, a 3 JC Serviços Administrativos. Essa mesma empresa, mostra ainda o jornal, teria recebido 48 mil reais da Livraria Praça de Casa Forte, outra companhia ligada a Silva Júnior.

Outra ligação entre os dois esquemas de corrupção é a participação de Catunda em uma licitação supostamente fraudada para que Silva Júnior vencesse. Naquela ocasião eram negociados kits escolares. A ordem das suspeitas é de 154 milhões de reais, dos quais as empresas do alvo da operação teriam embolsado metade.

O esquema em questão iniciou em 2018 e, de acordo com o jornal, foi essencial para que a PF chegasse ao nome de Alexsander Moreira, ex-funcionário do MEC apontado como operador do esquema nos kits de robótica. Ele foi alvo de uma das fases da Hefesto que revelou depósitos suspeitos em sua conta bancária. Ele foi exonerado após a operação.

Alexsander Moreira Foto: Maria Odília/Divulgação/Secretaria de Educação de Sergipe

De acordo com o jornal, o mesmo papel cumprido agora por Moreira já havia sido desempenhado no esquema suspeito na gestão Temer. Na Literatus, assim como Catunda, ele foi apenas citado. As menções, porém, teriam auxiliado no andamento da Hefesto. A operação, importante dizer, está suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. O caso chegou à Corte após descobertas de supostas menções a Lira. A decisão de Gilmar deve ser apreciada pelos demais ministros em agosto, na volta do recesso.

Dos citados, apenas Silva Júnior se manifestou ao ser procurado pelo jornal. Em nota, disse já ter ‘refutado as suspeitas com farta documentação comprobatória’.

Os chefes do FNDE naquela ocasião – José Fernando Uchôa Costa Neto e Leandro José Franco Damin ‘Damy’ – também foram procurados. Dos dois, apenas Damy optou por dizer que não cometeu irregularidades e que não era ele que definia quem iria receber os recursos do órgão.

Por fim, a reportagem ainda procurou os ex-ministros Mendonça Filho, hoje deputado federal do União Brasil-PE, e Rossieli Soares. Filho disse não ter ligação com o caso, já que o PAR – por onde escoava o dinheiro do FNDE – foi criado após sua saída. Na nota, ele defendeu a conclusão das investigações e a presunção de inocência dos aliados no FNDE. Já Soares repassou a responsabilidade do mecanismo para o FNDE. Os dois ex-ministros negaram também terem indicado Moreira, o ex-funcionário do MEC.

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