Bolsonaro sabota o combate ao coronavírus, acusa Human Rights Watch

Em conduta 'irresponsável', presidente atrapalha ações de governadores e do próprio Ministério da Saúde, diz entidade

O presidente Jair Bolsonaro, durante gravação de pronunciamento para rede nacional. Foto: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro, durante gravação de pronunciamento para rede nacional. Foto: Carolina Antunes/PR

Política,Saúde

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro sair a passeio em Brasília e tirar fotos em aglomerações, a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) publicou uma nota em que chama a conduta do chefe do Palácio do Planalto de “irresponsável” e o acusa de sabotar os esforços dos governadores e do Ministério da Saúde em conter a proliferação do novo coronavírus no Brasil.

Em texto divulgado neste sábado 11, a HRW diz que Bolsonaro “atrapalha” o combate à covid-19, desconsidera recomendações das autoridades de saúde e prejudica o acesso à informação. Para a entidade, o presidente está colocando os brasileiros em grave perigo, ao incitá-los a não seguir o distanciamento social e outras medidas para conter a doença.

O diretor da Divisão das Américas da HRW, José Miguel Vivanco, declarou que, para evitar mortes com a pandemia, os líderes devem garantir que as pessoas tenham acesso a informações precisas, baseadas em evidências, e essenciais para proteger sua saúde. “O presidente Bolsonaro está fazendo tudo, menos isso”, diz Vivanco.

Entre ações de Bolsonaro que a HRW critica, está o episódio em que o presidente editou uma medida provisória para retirar dos estados a competência de restringir a circulação de pessoas. A ordem foi derrubada dias depois, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

A entidade repudia ainda a edição de uma medida provisória em que Bolsonaro suspendeu os prazos para órgãos e entidades do governo responderem a pedidos de acesso a informações públicas, inclusive as próprias políticas de emergência de saúde. A Câmara dos Deputados reagiu e aprovou a suspensão dos efeitos do texto, e o ex-capitão revogou o próprio decreto.

A isenção de igrejas e casas lotéricas de seguirem as restrições estipuladas por estados e municípios também é alvo da HRW. Com um decreto, Bolsonaro permitiu aglomerações nesses espaços.

A organização condena as declarações em que Bolsonaro minimizou a crise, chamando a doença de “gripezinha”, de “resfriadinho” e de “fantasia da grande mídia”. A instituição também cita a ocasião em que o presidente afirmou que as famílias devem cuidar dos mais idosos porque “não pode deixar na conta do Estado”.

Outra ação que a HRW reprova é a promoção de uma peça publicitária em que o governo federal diz que “#OBrasilNãoPodeParar”. Bolsonaro também errou, diz a entidade, em espalhar informações falsas sobre suposta escassez na Central Estadual de Abastecimento (Ceasa) em Minas Gerais, e por acusar o governo do estado de São Paulo, sem provas, de exagerar no número de mortes registradas.

Segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado na sexta-feira 10, o coronavírus já matou mil pessoas no Brasil. São quase 20 mil casos identificados pela pasta em todo o território.

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Repórter do site de CartaCapital

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