Na TV, Bolsonaro acusa imprensa de histeria e pede fim de quarentena

Presidente da República fez pronunciamento oficial sobre o novo coronavírus

Presidente Jair Bolsonaro durante discurso na TV, em 24 de março de 2020 - Foto: Reprodução

Presidente Jair Bolsonaro durante discurso na TV, em 24 de março de 2020 - Foto: Reprodução

Política,Saúde

O presidente Jair Bolsonaro se pronunciou em rede nacional para pedir que governadores desistam das quarentenas e interrompam o fechamento do comércio e das escolas nos estados.

“Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”, declarou.

Bolsonaro afirmou que não há razão para o isolamento de toda a população, já que o grupo de risco compreende principalmente os idosos.

“O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade, 90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine. Devemos sim é termos preocupação em não transmitir vírus para os outros, em especial, aos nossos queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde”, declarou.

O presidente voltou a chamar o novo coronavírus de “gripezinha” e fez uma referência crítica ao médico Drauzio Varella, que, em janeiro, antes do contágio no Brasil, pediu calma à população.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria, ou seria, quando muito acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, discursou.

Bolsonaro se queixou ainda da cobertura da imprensa sobre a pandemia. Mais uma vez, o presidente acusou os veículos jornalísticos de espalharem o clima de tensão no país. Segundo ele, a abordagem dos meios de comunicação foi “na contramão” da atuação do governo.

“Grande parte dos meios de comunicação foi na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália. Um país com grande número de idosos, e com um clima completamente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo país”, disse.

Em seguida, Bolsonaro ironizou a TV Globo por pedir calma à população no Jornal Nacional, em edição na segunda-feira 23.

“Contudo, percebe-se que de ontem para hoje parte da imprensa mudou seu editorial: pede calma e tranquilidade. Isso é muito bom. Parabéns, imprensa brasileira”, afirmou.

Por consecutivas vezes, o presidente da República reclamou do que chama de “remédio em excesso” aplicado por governadores, como João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC). Em São Paulo e no Rio de Janeiro, há decretos que restringem a circulação de pessoas. Para Bolsonaro, as medidas prejudicam a economia.

Na última semana, o presidente tentou tirar o poder dos governadores de limitar a locomoção das pessoas, através de uma Medida Provisória e de um decreto. No entanto, nesta terça-feira 24, a tentativa foi derrubada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello.

 

O Brasil já contabiliza 2.201 casos do novo coronavírus e 46 mortes. É um aumento de 35% no número de óbitos em todo o País, de um dia para outro. A primeira morte foi anunciada há uma semana.

Todos os estados no País têm casos confirmados de coronavírus. São Paulo segue sendo o local com mais infectados (810) e mortes (40). O estado acaba de entrar em quarentena oficial de 15 dias, decretada pelo governador João Doria (PSDB) no último sábado.

As outras seis mortes foram registradas no estado do Rio de Janeiro.

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Repórter do site de CartaCapital

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