Política

Queremos que vocês se sintam como nós, diz Bolsonaro ao receber medalha indigenista

De cocar, o presidente recebeu a homenagem que deveria ser destinada aos que protegem os povos originários

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O Presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu, nesta sexta-feira 18, a medalha de Mérito Indigenista, criada para condecorar personalidades que se destacaram pela proteção e promoção dos povos indígenas brasileiros. 

A concessão da medalha já havia sido publicada no Diário Oficial da União, na quarta-feira 16. 

Entre os homenageados, além do presidente, estão outros oito ministros, entre eles o atual ministro da Justiça, Anderson Torres, que se auto-condecorou e o presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier, réu pelo descumprimento de acordo para demarcação de terra indígena. 

Em seu discurso, o ex-capitão, adornado com um cocar, disse que o homem branco e o indígena estão cada vez mais próximos. 

“O orgulho de ocupar essa posição, com o atual ministro da Justiça, Anderson Torres, e o presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier, comprometidos em cada vez mais, nos transformarmos em iguais. E isso não tem preço”, declarou. 

Bolsonaro, que em diversas oportunidades, afirmou que os indígenas são “pobres coitados”, agora busca um discurso de união. 

“Vocês chegaram aqui bem antes de nós, mas cada vez mais, nos integramos. Tenho a certeza que ao longo dos últimos três anos nos aproximamos muito mais que em tempos anteriores”, disse. 

Apesar da fala amistosa, Bolsonaro se orgulha de não ter demarcado nenhum metro quadrado de reserva indígena durante o seu mandato. 

Além disso, o presidente ainda reafirmou a posição de exploração de minérios e outros recursos em terras de demarcações. 

“Nós queremos que vocês façam em suas terras exatamente o que nós fazemos nas nossas”, afirmou o ex-capitão. 

Desde o início de seu mandato, o chefe do Executivo apoia a aceleração de um processo de grilarem e mineração nas terras protegidas, que se justificaria em uma suposta falta de potássio, fertilizante essencial para a agricultura. 

Com a invasão russa à Ucrânia, a narrativa ganhou ainda mais força, já que grande parte do potássio usado no Brasil tem origem na Rússia. 

No entanto, pesquisas revelam que não há necessidade de extração do material de terra indígenas, já que documentos do próprio governo federal e do Ministério de Minas e Energia afirmam que o País tem potássio suficiente para abastecer a agricultura até 2100. 

Bolsonaro também é defensor da tese ruralista, em análise no Supremo Tribunal Federal, que poderá revisar todas as demarcações de terras indígenas no País. 

A condecoração não agradou lideranças indígenas e associações representativas dos povos originários. 

A líder indígena Sônia Guajajara, coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), afirmou que a entidade buscará a contestação da homenagem na Justiça. 

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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