Educação

Pastores lobistas foram 127 vezes ao MEC e ao FNDE durante o governo Bolsonaro

Arilton Moura e Gilmar Santos são peças centrais no escândalo do gabinete paralelo no MEC

Gilmar Santos e Arilton Moura em evento oficial do governo ao lado de Bolsonaro.

Foto: Carolina Antunes/PR
Gilmar Santos e Arilton Moura em evento oficial do governo ao lado de Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR
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Os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, peças centrais no escândalo do gabinete paralelo no Ministério da Educação, visitaram 127 vezes o MEC e o FNDE – sob controle do Centrão – desde o início do governo de Jair Bolsonaro.

Conforme dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo via Lei de Acesso à Informação, Arilton esteve 90 vezes no MEC. Gilmar foi à pasta em 13 oportunidades. Já o FNDE recebeu Arilton em 21 ocasiões e Gilmar em três.

A primeira ida de Arilton ao MEC aconteceu em agosto de 2019, enquanto a última foi registrada em 4 de março deste ano. Gilmar, por sua vez, fez a primeira visita à pasta em dezembro de 2020 e a última em dezembro do ano passado.

O escândalo levou à demissão de Milton Ribeiro do comando do MEC.

O Palácio do Planalto também esteve no roteiro

Arilton Moura esteve 35 vezes no Palácio do Planalto desde o início do governo de Jair Bolsonaro, enquanto Gilmar foi dez vezes ao local.

Investigados pela Polícia Federal, Arilton e Gilmar são suspeitos de pedir propina para liberar recursos da pasta a prefeituras. Os religiosos negam a prática de qualquer irregularidade.

As informações sobre as visitas dos pastores foram encaminhadas pelo Gabinete de Segurança Institucional ao jornal O Globo em 14 de abril. Na véspera, o governo havia rejeitado um pedido para fornecer os dados.

Segundo o GSI, a primeira ida de Arilton ao Palácio do Planalto ocorreu em 16 de janeiro de 2019, nos primeiros dias do governo. Em 21 de fevereiro de 2019, Gilmar foi pela primeira vez à Presidência, em visita à Casa Civil – pasta chefiada à época por Onyx Lorenzoni.

Ambos estiveram pela última vez no Planalto em 16 de fevereiro deste ano, mais uma vez na Casa Civil – já sob o comando de Ciro Nogueira, um dos líderes do Centrão.

Arilton Moura foi recebido seis vezes após agosto do ano passado, quando a Controladoria-Geral da União abriu uma investigação para apurar supostas ofertas de propina que ele teria feito. Gilmar esteve três vezes no local no mês período.

Em oito oportunidades, os pastores chegaram juntos ao Planalto. O órgão mais visitado pelos líderes religiosos é a Casa Civil: foram 19 vezes, sendo 11 durante a gestão de Nogueira (iniciada em julho do ano passado) e oito durante a passagem de Lorenzoni (de janeiro de 2019 até fevereiro de 2020).

Na Secretaria de Governo foram 16 visitas: dez na gestão de Carlos Alberto dos Santos Cruz (entre janeiro e junho de 2019) e seis na de Luiz Eduardo Ramos (de julho de 2019 até março de 2021).

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