Política

O que está em jogo nas conversas entre Lula e União Brasil

Antes dos diálogos se intensificarem, um nome cogitado para fazer parte do novo governo foi o do ex-prefeito de Salvador ACM Neto

Lula em Brasília. Foto: EVARISTO SA / AFP
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O União Brasil, que é um dos alvos do presidente eleito Lula (PT) para compor a base de sustentação do novo governo no Congresso, aguarda uma sinalização do petista sobre qual espaço o partido vai ocupar na gestão federal.

As conversas foram iniciadas pelo presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, e seguem com as participações dos líderes no Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Elmar Nascimento.

A aproximação do União Brasil – que foi formado a partir da fusão do PSL com o DEM – com Lula ainda encontra resistência de integrantes do partido ligados às bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas, de acordo com um deputado com quem CartaCapital conversou, eles não devem ter força para impedir uma possível aliança.

“O Bivar sempre teve um entendimento de que a gente deveria apoiar o Lula”, afirmou o parlamentar em caráter reservado. “Ele sempre entendeu que a gente estaria junto na base”.

Antes dos diálogos se intensificarem, um nome cogitado para fazer parte do novo governo foi o do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que foi derrotado pelo candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, na disputa pelo governo da Bahia neste ano.

CartaCapital apurou que Elmar Nascimento, próximo de ACM, teria sido o porta-voz da possibilidade. “Eram conversas que estavam acontecendo”, acrescentou um parlamentar.

O UB, a partir de fevereiro de 2023 com a posse dos novos congressistas, terá 59 deputados federais, o que aumenta o cacife na mesa de negociações.

O que está em jogo

A necessidade de uma base parlamentar forte para o novo governo foi explicitada nas últimas semanas com os obstáculos enfrentados no Congresso para aprovar a PEC da Transição.

O texto protocolado no Senado prevê um montante de 175 bilhões de reais fora do teto de gastos a fim de bancar o novo Bolsa Família por quatro anos. A proposta também mantém a previsão de até 23 bilhões de reais para investimentos públicos, o que totalizaria 198 bilhões de reais no pacote.

Líderes do Centrão e aliados de Bolsonaro, no entanto, defendem que a autorização para tirar os valores da âncora fiscal contemple apenas o ano de 2023. O meio-termo seria uma validade de dois anos.

A tramitação da PEC se iniciará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que é presidida por Alcolumbre, que pode avocar para si a relatoria da proposta na Casa. Na Câmara, há a possibilidade do posto ser ocupado por Elmar Nascimento.

Parlamentares do PT chegaram a admitir que as dificuldades para o avanço da proposta iam além das divergências no texto. Um deputado disse que a falta de consenso envolvia também a indefinição sobre a composição do governo e a eleição para os comandos da Câmara e do Senado.

Além de ministérios, o União Brasil estaria interessado em manter a influência na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

“Estamos aguardando as definições de quais as posições [vamos ocupar]”, afirmou um parlamentar que não está envolvido diretamente nas negociações. “Sei que existe esse sentimento [de fazer parte do governo] da nossa parte”.

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