Justiça

Megaoperação da PF mirou atos golpistas e cumpriu mais de 100 mandados; entenda

A determinação partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Foto: Evaristo Sá/AFP
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A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira 15 mais de 100 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em atos golpistas promovidos por bolsonaristas após o segundo turno da eleição.

A determinação partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e a maior parte das medidas ocorreu no âmbito do inquérito que apura a realização de manifestações antidemocráticas.

As buscas se concentraram nos estados de Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e Santa Catarina, além do Distrito Federal.

No Espírito Santo, a PF também cumpriu mandados de prisão preventiva. Segundo a TV Gazeta, afiliada da TV Globo no estado, entre os investigados estão os deputados estaduais Carlos Von (DC) e Capitão Assumção (PL), que terão de usar tornozeleiras eletrônicas.

Já os mandados de prisão no Espírito Santo têm como alvos, de acordo com a emissora, o vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos), o jornalista Jackson Rangel Vieira, o pastor Fabiano Oliveira e o radialista e candidato derrotado a deputado estadual Max Pitangui (PTB).

Em balanço atualizado até as 16h, a PF informou ter apreendido 21 armas e 132 munições em todos os estados onde houve operação. Chamou a atenção um arsenal encontrado em Santa Catarina, com 11 armas – entre elas, uma submetralhadora, um fuzil e rifles com luneta.

Ao todo, Moraes determinou 103 medidas de busca e apreensão, quatro ordens de prisão, quebras de sigilo bancário, apreensão de passaportes e suspensão de certificados de registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, além do bloqueio de contas bancárias e de 168 perfis em redes sociais.

Segundo o STF, a operação autorizada se baseou em uma rede de investigação formada por relatórios de inteligência enviados pelo Ministério Público, pela Polícia Civil, pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal dos estados.

“Os documentos identificaram patrocinadores de manifestações, financiadores de estruturas para acampamentos, arrecadadores de recursos, lideranças de protestos, mobilizadores de ações antidemocráticas em redes sociais, além de donos de caminhões e veículos que participaram de bloqueios”, informou a Corte.

Nos estados de Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, a investigação mira a conduta de três grupos envolvidos no crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito:

  • indivíduos apontados como líderes, organizadores, financiadores e fornecedores de apoio logístico e estrutural identificados na investigação sobre o bloqueio de rodovias;
  • proprietários e condutores de caminhões que participaram das manifestações golpistas e foram autuados pela prática de infrações de trânsito graves ou gravíssimas;
  • e proprietários e condutores de veículos empregados para prestar apoio, auxílio logístico ou estrutural aos atos, como transporte de pneus a serem queimados, estrutura para barracas e transporte de banheiros químicos.

Na quarta-feira 14, durante um seminário, Moraes afirmou haver “muita gente” a ser presa e multada no âmbito de investigações sobre atos antidemocráticos e disseminação de fake news.

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