Política

Lula representa a democracia, diz Alckmin, agora filiado ao PSB

As declarações do ex-tucano vão ao encontro do que tem dito o ex-presidente sobre as eleições de 2022

Ex-governador Geraldo Alckmin discursa em evento de filiação
Ex-governador Geraldo Alckmin discursa em evento de filiação
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O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin filiou-se nesta quarta-feira 22 ao PSB. O evento, realizado em Brasília, abriu caminho para compor uma chapa presidencial com o ex-presidente Lula (PT), a quem elogiou várias vezes.

“Eu disputei com o presidente Lula a eleição em 2006, mas nunca colocamos em risco a questão democrática”, declarou o ex-governador. “Temos que ter os olhos abertos que ele [Lula] é hoje o que melhor reflete, interpreta o sentimento do povo brasileiro. Ele representa a democracia, porque ele é fruto da democracia. Não chegaria lá de um berço humilde se não fosse o processo democrático.”

“Não tenho dúvida de que Lula, se Deus quiser eleito, vai reinserir o Brasil no cenário mundial. Vai alargar o horizonte do desenvolvimento econômico e diminuir essa triste diferença social que temos no Brasil. O Brasil precisa ser bom não só para alguns, mas para todos.”

Numa referência a Jair Bolsonaro, Alckmin disse que a primeira tarefa na eleição deste ano é combater as mentiras. “O debate era de outro nível. Nunca se questionou a democracia. A primeira tarefa nossa é combater a mentira, que é o que há de pior no regime democrático”.

A respeito de sua vinda para o PSB, o ex-tucano ressaltou a gravidade da crise política e econômica que o Brasil atravessa, e elogiou o novo partido. “Me sinto em casa, porque temos uma origem quase comum. A social-democracia e o socialismo, quando nasceram, o fizeram nos princípios das lutas trabalhistas e das lutas sociais.”

As declarações vão ao encontro do que tem dito Lula sobre a necessidade superar Bolsonaro. O próprio Alckmin, ao anunciar que se filiaria ao PSB, disse que “o momento exige grandeza política, espírito público e união”.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, classificou o pleito como uma disputa entre a “civilização e a barbárie”, e ressaltou a importância da formação de uma frente que vá além da esquerda para derrotar Bolsonaro.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também reforçou a necessidade do campo progressista se unir. “Nunca foi tão necessário mobilizar forças. Precisamos encerrar esse tempo de sofrimento e retrocesso”, disse.

A chegada de Alckmin reforça a união entre PT e PSB, ao menos no plano nacional. Lula ainda não confirma ser candidato, mas chegou a declarar que a aliança só seria concretizada após o novo membro do PSB escolher um partido.

Quando apareceu ao lado do ex-governador, em dezembro do ano passado, Lula ensaiou o tom do discurso que deve adotar durante a campanha.

“Não importa se no passado fomos adversários. Se trocamos algumas botinadas. Se no calor da hora dissemos o que não deveríamos ter dito”, disse à época. “O tamanho do desafio que temos pela frente faz de cada um de nós um aliado de primeira hora.”

“Eu estou convencido de que a gente construir essa chapa será um benefício muito grande para o País. Vamos ver se é possível construir, os partidos vão sentar e eu vou conversar com Alckmin e saber o que vai acontecer”, afirmou na terça-feira 22 em entrevista à rádio Som Maior, de Santa Catarina.

Federação e a resistência de aliados

Até a oficialização da chapa, que deve ocorrer em abril, Lula e Alckmin vão enfrentar resistências dentro do próprio PT, já que quadros do partido e parte da militância se manifestaram contrariamente à união.

Possíveis aliados, como integrantes do PSOL, também criticaram publicamente a formação de uma chapa entre o petista e o ex-tucano.

Embora a formação da chapa seja questão de tempo, as discussões sobre uma federação partidária e as candidaturas nos estados tornaram-se obstáculos para um consenso entre as siglas.

O PT, que chegou a um acordo com o PV e o PCdoB sobre a federação, ainda não convenceu o PSB a fazer parte da união. Lula, em entrevista recente, disse que ainda não desistiu de contar com os socialistas.

“O fato do PT ter feito a federação com PV e o PCdoB é uma coisa muito importante. Eu ainda trabalho com a ideia de que o PSB possa entrar nessa federação. Mas, se não entrar, vamos fazer uma coligação e vamos estar juntos na campanha de 2022”, afirmou.

As principais divergências estão na composição da diretoria do agrupamento e nos nomes que serão os cabeças de chapa nas eleições de São Paulo, do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, já que, se aprovada a federação, ela só poderá ter um candidato por estado.

Em São Paulo, o PT pretende lançar o ex-prefeito Fernando Haddad e o PSB defende a candidatura de Márcio França. No Espírito Santo, o senador Fabiano Contarato (PT) se lançou como pré-candidato. No entanto, o atual governador, Renato Casagrande (PSB), pretende disputar a reeleição. Já no Rio Grande do Sul, a disputa se dá entre Edegar Pretto (PT) e Beto Albuquerque (PSB).

(com reportagem de Leonardo Miazzo)

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

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