Política

Em evento com Alckmin, Lula ensaia discurso para 2022: ‘Não importa se fomos adversários’

No PT, a leitura é de que a primeira aparição pública do ex-tucano junto a Lula marca o início de uma frente ampla contra o bolsonarismo

Foto: Ricardo Stuckert
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Mais um passo para a formação de uma chapa entre o ex-presidente Lula e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi dado na noite de domingo 19 durante um jantar promovido pelo grupo de advogados Prerrogativas em São Paulo.

Em um evento cheio de simbolismos, o petista fez um discurso de mais de 40 minutos em que aparou arestas com o ex-tucano e ensaiou a narrativa que deve usar em 2022 caso a união se concretize.

“É hora de perseverarmos juntos, para restaurar a democracia e reconstruir este País. Não é tarefa para uma pessoa sozinha. É um trabalho coletivo”, afirmou Lula para uma plateia de 500 convidados no restaurante A Figueira Rubaiyat.

Não importa se no passado fomos adversários. Se trocamos algumas botinadas. Se no calor da hora dissemos o que não deveríamos ter dito. O tamanho do desafio que temos pela frente faz de cada um de nós um aliado de primeira hora”, acrescentou o ex-presidente.

Lula agradeceu a presença do novo aliado e emendou com os desafios que o presidente que sucederá Jair Bolsonaro enfrentará ao assumir ao cargo. “O Brasil que eu vou pegar em 2023 é muito pior do que o Brasil de 2003”, avaliou.

Ao lado da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, Lula, apesar dos acenos, não cravou que caminhará com o ex-governador na eleição do ano que vem. “O Alckmin deixou o PSDB e ainda não tem partido. Quem vai dizer se a gente pode se juntar ou não são o meu partido e o dele. Temos que ter paciência”, ponderou.

Antes do discurso, o petista esteve em uma sala separada com Alckmin e outras lideranças. Estiveram presentes no evento o presidente do PSB, Carlos Siqueira, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos,  o prefeito do Recife, João Campos (PSB), o ex-governador de São Paulo Marcio França (PSB), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), a ex-senadora Marta, os deputados Marcelo Freixo e Alessandro Molon, do PSB, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), entre outros.

O clima de cordialidade dentro do ambiente contrastou com um pequeno protesto que ocorreu horas antes na portaria do estabelecimento. Militantes do PCO gritaram a favor de Lula e contra o novo possível aliado.

Militantes do PCO aguardavam a chegada de Alckmin ao evento. Foto: Alisson Matos

Embora encontrem eco em alguns quadros do PT, como o ex-presidente da sigla Rui Falcão, os protestos contra Alckmin não ressoam no partido. “Quem escolhe o vice é o Lula”, resumiu o ex-senador Aloisio Mercadante em conversa com CartaCapital.

Para ele, o evento teve a força de transformar Lula em uma “campanha das Diretas Já contra o autoritarismo, o negacionismo e o obscurantismo”.

“Ele representa o melhor momento da história recente do País, com estabilidade, crescimento e distribuição de renda. O sentimento é que essa vontade de reconstruir o País é ampla e nós temos que trazer todo mundo que estiver disposto a respeitar um programa de inclusão social e distribuição de renda”, declarou Mercadante. “O Mario Covas nos apoio em 1989 no segundo turno. O Alckmin foi vice do Covas e espero que ele nos traga esse espírito e essa história.”

A leitura no PT é que o jantar marcou o início da formação de uma Frente Ampla contra o bolsonarismo, isolando o atual presidente e sufocando a chamada terceira via.

“Na hora que o Lula começar a andar pelo País nós teremos uma mobilização popular extraordinária e uma grande vitória”, ressaltou Mercadante.

“Temos que pensar uma frente democrática”, disse Paulo Teixeira. “A presença do Alckmin e as conversas colocam o nome em questão”, admitiu o deputado federal.

Após deixar o PSDB, Alckmin tem dois destinos prováveis: o PSB para ser vice do PT ou o PSD, de Gilberto Kassab, para se candidatar novamente ao governo de São Paulo. “É hora de grandeza política e união”, disse o ex-tucano no evento.

Outra possibilidade surgiu neste mês com o convite do deputado Paulinho da Força para que o ex-governador ingresse no Solidariedade. “Estamos conversando, mas vice-presidente não se escolhe faltando um ano para a eleição”, declarou ao chegar ao jantar.

Lula discursa em evento que o homenageou. Foto: Alisson Matos

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

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