Bolsonaro diz que pode ir para o PP caso Ciro Nogueira aceite ser ministro

O presidente disse que está ‘quase impossível’ encontrar um partido, mas confirma aproximação com Progressista

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira 23 que as conversas com o Partido Progressista estão mais adiantadas com a entrega da Casa Civil ao senador Ciro Nogueira.

A confirmação foi dada em entrevista à Rádio Grande, do Mato Grosso do Sul, em uma série de conversas praticamente idênticas que o presidente tem feito com emissoras de diferentes regiões do País nos últimos dias.

“Eu não tenho um partido político ainda, tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e que eu possa, se eu for disputar a presidência, ter o domínio do partido. Tá difícil e quase impossível, então o PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa”, explicou.

Segundo o presidente, o convite oficial será feito na segunda-feira 26 e depende do senador ‘aceitar os termos’ que serão impostos por ele.

Bolsonaro rompeu com o PSL e buscou criar seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil. A tentativa, porém, foi frustrada por falta de assinaturas e tempo hábil antes das eleições de 2022.

O presidente se aproximou então do Patriota, partido que fez uma manobra estatutária para receber o clã Bolsonaro. A Justiça Eleitoral, no entanto, novamente frustrou os planos ao afastar o presidente da sigla, Adilson Barroso, e anular as mudanças no estatuto da legenda.

Ciro Nogueira, convidado a ocupar o mais importante ministério do governo, é presidente do PP e poderá abrir oficialmente as portas do Centrão a Bolsonaro, que já se afirma como parte do grupo.

Além de Nogueira, a legenda também obriga o deputado federal Ricardo Barros, líder do governo e apontado como pivô da corrupção no Ministério da Saúde, e Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.

 

Eleições 2022

Na entrevista, o presidente voltou a negar que seja candidato à reeleição. Recentemente, CartaCapital confirmou que Bolsonaro estuda a possibilidade de não disputar  a eleição caso o voto impresso não seja aprovado.

“Não vou falar que sou candidato porque eu não sou. No momento eu não penso em reeleição. Eu penso só em trabalhar aqui e a busca por um partido é algo normal”, afirma.

Mesmo não confirmando sua candidatura, o presidente atacou novamente Lula, seu principal adversário no pleito de 2022. A tese de que pesquisas Datafolha são ‘mentirosas’ e ‘compradas’ também foi repetida, bem como a defesa do voto impresso e os ataques à CPI da Covid.

Na conversa, Bolsonaro negou os pedidos de propina nas negociações de vacinas por integrantes de seu governo. Ao se dizer inocente, Bolsonaro aproveitou para explicar qual deveria ter sido o modus operandi ‘correto’ caso seus aliados quisessem fazer o pedido:

“Uma pessoa se reunir em um restaurante e falar em propina? Não tem cabimento isso. Geralmente isso acontece pelado dentro da piscina”, explicou Bolsonaro.

Esta é a segunda vez que Bolsonaro ‘ensina’ a forma correta de se pedir propina para se esquivar das acusações envolvendo o seu governo. Nesta semana, em conversa com apoiadores, o presidente disse que se fossem reais, os pedidos seriam feitos ‘no submundo, num porão, num canto qualquer’.

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Repórter do site de CartaCapital

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