Com atos contra Bolsonaro, parada LGBT reúne 3 milhões em SP

Os presentes também comemoravam a recente decisão do STF que criminaliza a homofobia e a equipara ao crime de racismo

Foto: Mídia Ninja

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Diversidade

Jakeline de Oliveira tem 36 anos e, mesmo sendo moradora da cidade de São Paulo, essa é a primeira parada LGBT que esteve presente. O motivo que levou a fotógrafa a comparecer neste domingo, 23, à Avenida Paulista foi sua filha de 14 anos ter se assumido bissexual há dois meses.

Júlia contou para os pais que estava gostando também de meninas e que pediu o apoio deles. “Sempre é um choque, mas está sendo tranquilo para mim, quero vê-la feliz”, disse Jakeline.

 

Júlia veio com mais duas amigas, que têm a mesma idade e também se identificam como bissexuais. “O momento político que passamos me incentivou estar aqui. O nosso presidente é um desastre para a população. Estou lutando pela vida da minha filha”, afirmou a fotógrafa.

Jakeline foi apoiar a filha Julia, que se assumiu bissexual, e duas de suas amigas. Créditos: Alexandre Putti

E não foi só Jakeline que compareceu neste domingo para protestar contra Jair Bolsonaro. Entre os 3 milhões de presentes na região central de São Paulo, diversas faixas e cartazes com dizeres contra o presidente desfilavam  juntos com os carros de som.

O tema deste ano também lembrou a luta por direitos do movimento LGBTs. A Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York (EUA) em junho de 1969, foi tema da 23ª parada da capital paulista.

Stonewall é uma referência ao bar nova iorquino frequentado por membros da comunidade LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), na década de 1960, que resistiram a uma batida policial, gerando uma série de manifestações pela diversidade sexual. Um ano depois ocorria a primeira Parada do Orgulho Gay, em Nova York.

Criminalização da homofobia

Nas ruas, cobertas com as cores do arco-íris, os manifestantes destacaram, também, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que equipara a homofobia ao crime de racismo.

“Obrigado, STF”, diziam cartazes carregados por manifestantes que vestiam a bandeira do arco-íris, marca do movimento LGBT.

Alguns políticos estiveram presentes no evento. O prefeito Bruno Covas (PSDB) compareceu ao local e, em entrevista coletiva, afirmou que a cidade de São Paulo “celebra a diversidade” e que pretende ser “referência mundial em termos de direitos humanos”.

O deputado federal David Miranda (PSOL/RJ), único parlamentar gay da Câmara dos Deputados, esteve presente e desfilou no carro da Uber. Junto com o congressista estava a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL/SP) e outros deputados estaduais.

A deputada do estado de São Paulo, Erica Malunguinho (PSOL), primeira deputada trans do Brasil, estava no carro que abriu os desfiles da parada.

Lula Livre

E não foi só pela luta dos direitos LGBTs que manifestantes estiveram reunidos neste domingo. Aproveitando o momento de luta, manifestantes carregavam faixas pedindo a soltura do ex-presidente Lula, que se encontra preso em Curitiba pela operação Lava- Jato.

Foi o caso do empresário Paulo Melo. O paulistano de 42 anos não é gay, mas esteve presente na Parada para unir força ao movimento e trazer a luta do “Lula Livre” para dentro da manifestação.

“A diversidade precisa existir. Lula é o maior representante da esquerda e um ícone da libertação das minorias. Precisamos unir as lutas, as pautas, o momento exige isso, por isso estou aqui hoje”, disse Melo.

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Repórter do site de CartaCapital

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