Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Após homenagear grandes compositores, Augusto Martins visita o pop em seu novo disco

‘Minhas Digitais’ tem sonoridade eletrônica, sem abafar a voz versátil e límpida do artista

Foto: Divulgação
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Augusto Martins conta que seu 10º álbum de carreira, intitulado Minhas Digitais, foi uma ideia de Moacyr Luz, produtor, cantor e compositor.

“É uma maneira de marcar aquilo que é nosso. A digital é uma coisa única. Mas tem uma brincadeira também com o universo da música digital, da sonoridade eletrônica, que pela primeira vez entra na minha carreira”, afirmou Martins a CartaCapital.

O novo trabalho contou com arranjos e instrumentos eletrônicos de Rodrigo Campello, além da participação do grupo MPB4. Minhas Digitais, de fato, difere do que Augusto Martins já fez até aqui: desta vez, ele regravou canções de um universo pop.

O cantor registrou Que Maravilha (Toquinho e Jorge Ben Jor), Paixão (Kleiton e Kledir), Amor de uma Vida Inteira (Moacyr Luz e Carlos di Jaguarão), Grilos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), De Repente (Lulu Santos e Nelson Motta), Balada do Louco (Arnaldo Baptista e Rita Lee) e Que Tal um Samba (Chico Buarque).

Um repertório para lá de eclético, que recebeu sonoridade eletrônica, mas sem abafar a voz versátil e límpida de Augusto Martins.

Flor de Trovoada, uma das duas inéditas no disco de oito faixas (a segunda é Amor de uma Vida Inteira), é uma parceria de Augusto Martins, Moacyr Luz e João Donato.

Essa canção tem uma história curiosa. Por mais de 30 anos, Augusto foi amigo de Donato, que chegou a participar de três álbuns do músico.

“Ele, muito generosamente, há oito anos, tinha me dado uma melodia para letrar. Mas vinha com dificuldade. Confesso que, com a grandeza dele, não conseguia fazer”, revela Martins.

O cantor chegou a rascunhar algumas versões, mas não gostou. “Queria mostrar a ele, mas enrolava, dizia que uma hora ia sair.”

Moacyr Luz, durante a produção do novo disco, sugeriu incluir uma obra de Donato, falecido no ano passado. Augusto, então, se lembrou da canção sem letra.

“Pedi ao Moa (apelido de Moacyr Luz) para sair daquela sinuca e ele fez a primeira parte da letra. Aí, toquei a segunda. Foi uma alegria imensa virar parceiro desses dois nomes da música brasileira numa tacada só.”

Segundo Maritns, “o álbum tem um repertório mais solar, alegre, colorido, feliz, com uma sonoridade que tem muito a ver com Donato”.

Ele chegou a gravar em disco tributos a Djavan, Tom Jobim, Aldir Blanc, Zé Kéti e Ismael Silva, sempre com características diferentes do álbum Minhas Digitais.

“É uma experiência que me encanta profundamente. Fazer esse mergulho. Entrar nesse universo de cada um desses compositores.”

O último tributo lançado foi a Aldir Blanc, um projeto idealizado antes da morte do homenageado, em 2020, mas lançado em 2021. O disco é de voz e piano – tendo como pianista Paulo Malaguti, do MPB4. O álbum já foi destaque em CartaCapital.

“O Aldir nos fazia ver o Brasil de forma impressionantemente verdadeira. Ele tinha um jeito personalíssimo de escrever e de enxergar este País, este mundo, esta vida”, resume.

No início do segundo semestre, Augusto Martins lançará outro álbum, também com a produção de Moacyr Luz, com o grande violonista Hélio Delmiro. “Ele é um dos maiores do mundo. 76 anos e segue tocando lindamente.”

Assista à entrevista de Augusto Martins a CartaCapital:

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