Política

Episódios neonazistas crescem sob o governo Bolsonaro, aponta relatório

Houve 114 casos registrados pelo Observatório Judaico de Direitos Humanos; a entidade destaca que o número praticamente dobra a cada ano

Estudantes de Criciúma (SC) fizeram uma saudação nazista em 2021. Foto: Reprodução
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Um relatório do Observatório Judaico de Direitos Humanos no Brasil divulgado nesta segunda-feira 15 alerta para a escalada de episódios de cunho neonazista e antissemita durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Ao todo, foram registrados 169 casos entre janeiro de 2019 e junho de 2022. Desses, 114 (67%) são de caráter neonazista, com referências a Hitler, além de admiração ao nazismo e seus símbolos e representações, como a suástica.

O relatório monitorou as notícias sobre violação de direitos em perspectiva antissemita e neonazista. Em destaque estão a militarização das escolas e o rearmamento da população. Um exemplo é o massacre que ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), que vitimou dez pessoas. Guilherme Taucci Monteiro, idealizador do ataque, participava de grupos neonazistas. Além de descobrir o vínculo do ex-aluno com o movimento, a polícia encontrou armas e materiais explosivos sob sua posse.

Ainda em sala de aula, mas em Santa Catarina, alunos foram filmados ao fazer uma saudação nazista.

O estudo mostrou que os eventos praticamente dobram a cada ano. Houve 12 ocorrências em 2019, 21 em 2020, 49 em 2021 e 32 apenas no primeiro semestre de 2022.

Para Claudia Heller e Samuel Neuman, coordenadores do relatório, “esse crescimento sinaliza a gravidade de um processo que, em nosso País, atinge sobretudo os grupos que historicamente sofrem racismo estrutural”.

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