‘Senadores têm medo de reação armada’ se convocarem Braga Netto, diz Vieira

Membro da CPI da Covid explica que receio é o principal fator para o ministro da Defesa ainda não ter sido convocado a depor

Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Política

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que o medo de uma ‘reação armada’ dos militares é o principal fator que impede os integrantes da CPI da Covid de convocarem o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, a depor na comissão. A explicação foi dada em entrevista ao jornal El País na terça-feira 17.

“Na CPI tem parlamentares corretos, mas que têm medo de uma reação armada. Quando você chega neste patamar, talvez você já não tenha democracia. Plena, pelo menos, não. Alguns senadores têm receio de motivar uma reação armada com a convocação do Braga Netto”, disse.

 

 

De acordo com o parlamentar, o depoimento é visto como essencial para o andamento dos trabalhos da Comissão de Inquérito. Para o senador, o general é peça-chave para explicar o envolvimento de militares na compra de vacinas. A presença do ministro também pode esclarecer o desvio de verbas de combate à pandemia pelas Forças Armadas.

O senador afirma não saber se há votos suficientes para a convocação, mas garante que há um compromisso do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), de votar o requerimento

“O senador Omar Aziz se comprometeu comigo a botar pra votar. A gente tem que votar. E aí, se perder, perdeu, paciência. A gente vai explicar para a sociedade que a gente está fazendo a investigação de responsabilidade do Governo, mas que não vai ouvir uma autoridade do Governo porque o pessoal tem medo de farda. Ou do pijama, não sei”, destaca.

Vieira explica compreender as razões para o receio dos parlamentares em convocar o general, mas destaca que a convocação mostraria que ‘ninguém está acima da lei’.

“Esse medo não é desarrazoado, ao analisarmos a nossa história. Também lembrando que aqui é uma casa onde a maioria tem uma vivência de ditadura que não tenho, eu era criança. E essa turma não”, justifica. “Se eu mostro para a sociedade e para integrantes da Forças Armadas que existe gente que está acima da lei, eu os estou autorizando a continuar fora da lei. Eu tenho de garantir o contrário, de que todo mundo está abaixo da lei, seja um general de quatro estrelas ou não”, completa.

 

General Walter Braga Netto

Braga Netto foi o porta-voz das Forças Armadas ao assinar uma nota em conjunto com Exército, Marinha e Aeronáutica contra declarações de Omar Aziz na CPI. A nota dizia que os militares não iriam ‘aceitar ataques’ e foi lida como uma clara ameaça vinda dos quartéis.

Dias depois, o nome do general também foi associado a uma ameaça ao presidente da Câmara Arthur Lira (PP-PI). Em notícia revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Braga Netto teria mandado um ‘recado’ ameaçador ao líder dos deputados em defesa do voto impresso.

“A quem interessar, diga que, se não tiver eleição auditável, não terá eleição”, teria dito o ministro. O episódio foi negado por ele e por Lira, mas repercutiu entre os parlamentares.

Entre as polêmicas envolvendo o general constam ainda o desfile de tanques organizado na Esplanada no mesmo dia em que a Câmara analisou o voto impresso, principal obsessão de Jair Bolsonaro. A ‘tanqueciata’ também foi compreendida como uma tentativa de intimidação.

Braga Netto é apontado ainda como o ‘mandante’ da espionagem de senadores integrantes da CPI, como relatou Rogério Carvalho (PT-SE). O coronel responsável pela busca de informações do parlamentar foi da turma do ministro na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

Nesta terça-feira 17, o ministro esteve na Câmara dos Deputados em audiência conjunta de três comissões da Casa. Nas declarações, o general disse não acreditar que houve uma ditadura no Brasil, negou mortes e torturas durante o período militar e evitou falar sobre o voto impresso.

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