Senadores já avaliam prorrogar a CPI da Covid e veem ‘gabinete negacionista’ ainda atuante

O depoimento da médica Luana Araújo confirma que o 'comando paralelo' não foi suspenso após a ascensão de Marcelo Queiroga, avalia Randolfe

Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Política

A CPI da Covid, programada originalmente para concluir seus trabalhos no fim de agosto, pode ser prorrogada. A discussão já é feita entre os membros da comissão, segundo o senador Humberto Costa (PT-PE).

 

 

“Precisaremos do tempo necessário para fazer uma boa investigação e preparar um bom relatório. Se for possível fazer isso em três meses, será feito. Se não for possível, poderemos prorrogar e até nem utilizar o tempo todo. Mas o mais importante é que nós não deixemos de fazer aquilo que é o objetivo desta CPI: a condução que o governo deu ao enfrentamento à pandemia”, disse Costa em entrevista coletiva após a sessão desta quarta-feira 2, marcada pelo depoimento da médica infectologista Luana Araújo.

“Agora estamos avançando para ter sessões de terça a sexta”, acrescentou o petista, sinalizando que, apesar da possibilidade de extensão da CPI, o objetivo é acelerar o ritmo dos trabalhos.

O vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a oitiva desta quarta “reitera uma compreensão que a maioria dos membros da CPI tinha: a de que existia um gabinete paralelo e que, com o depoimento da doutora Luana e a impossibilidade de ela continuar no governo, vimos que continua atuando”.

“Qual a razão para vetar, no meio de uma pandemia, um quadro da qualidade da doutora Luana? Qual a razão para vetar a única infectologista que viria a ter naquele nível? O que foi que pautou? A única posição que me parece ter levado ao veto foi ela ser a favor da ciência. Então, existe um gabinete negacionista que continua atuando, impedindo que as melhores cabeças da ciência brasileira possam contribuir no enfrentamento à pandemia”, avaliou.

Randolfe afirmou que, até esta quarta, acreditava que o funcionamento do “gabinete paralelo” havia sido “neutralizado” com a ascensão de Marcelo Queiroga ao posto de ministro da Saúde. “O depoimento traz para nós um elemento novo: o de que esse comando paralelo continua atuando”.

No dia 12 de maio, Luana Araújo chegou a ser anunciada por Queiroga para comandar a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Após dez dias no posto, entretanto, ela foi avisada pelo próprio ministro que seu nome não recebeu aval do governo. Araújo se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Queiroga será ouvido pela CPI na próxima terça-feira 8, cerca de um mês depois de seu primeiro depoimento. No foco dos senadores, adianta Randolfe, estará a realização da Copa América no Brasil. Ele apontou que o próprio ministro da Saúde admitiu a iminência de uma 3ª onda da Covid-19, “uma contradição que deverá ser confrontada”.

“A vinda do ministro da Saúde aqui é para salvar vidas, para que seja instado a tomar as medidas que são necessárias para impedir um novo agravamento da pandemia”, declarou o vice-presidente da CPI.

Para Humberto Costa, o depoimento de Luana Araújo “reforça a visão de que o modo adequado de se enfrentar a pandemia é diferente do que foi feito aqui no Brasil”.

“Foi muito importante a fala dela sobre essa história do tratamento precoce. Ela jogou a última pá de terra em cima dessas especulações. O próprio presidente [da CPI, Omar Aziz] já deixou entrever que não vai continuar o debate com esse tema ‘cloroquina'”.

 

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