Quebra de sigilo de Ana Cristina atinge período que esteve casada com Bolsonaro

Ana Cristina é apontada como operadora do esquema de rachadinha nos gabinetes dos filhos do presidente

Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro.

Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro.

Política

A Justiça autorizou que o Ministério Público do Rio de Janeiro tenha acesso aos dados bancários e fiscais de Ana Cristina Siqueira Valle de maio de 2005 a maio de 2021. Com a decisão, o órgão vai investigar as contas da advogada enquanto ela esteve casada com o presidente Jair Bolsonaro até 2008. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

As quebras foram determinadas para apurar a movimentação financeira da ex-mulher de Bolsonaro apontada como operadora do esquema de rachadinha nos gabinetes dos filhos do presidente, em especial de Carlos (Republicanos), vereador no Rio de Janeiro, do qual foi chefe de gabinete e empregou ao menos sete parentes próximos — quatro deles registraram a casa de Jair Bolsonaro como endereço na Receita Federal.

 

 

Os imóveis comprados por Bolsonaro e Ana Cristina enquanto estiveram casados são alvos de suspeita. Os indícios apontam para lavagem de dinheiro, já que o casal teria adquirido os locais usando dinheiro em espécie, prática apontada como suspeita pelo MP-RJ. Ao todo, Bolsonaro e Ana compraram cinco terrenos, um escritório e uma casa. Ao fim do relacionamento os dois contavam com 14 imóveis, boa parte adquirida de forma suspeita, segundo apontam as investigações.

No caso das rachadinhas, a suspeita é de que ela tenha comandado o esquema, com a anuência de Bolsonaro, até a separação do casal. Ela só teria deixado a liderança dos desvios após o atual presidente descobrir que estava sendo traído pela mulher. Ele então teria passado o comando do esquema diretamente aos filhos.

Na investigação, Ana é quem alocaria os funcionários em cargos, boa parte deles seus parentes, e quem recolheria até 90% dos salários e ganhos para devolver aos políticos Carlos e Flávio Bolsonaro. Os funcionário contratados por Ana também são alvos de investigação, já que muitos deles seriam ‘fantasmas’ e, apesar de estarem nomeados, nem mesmo moravam no Rio de Janeiro. Seu papel, segundo o MP, é semelhante ao de Fabrício Queiroz no gabinete de Flávio.

Com a investigação, o MP-RJ busca indícios que comprovem a movimentação que Ana Cristina realizada, denunciada por ex-funcionários. Apesar de compreender o período em que esteve casada com o presidente, a quebra de sigilo é apenas nas contas de Ana, sem que atinja empresas ou outras pessoas que participaram das negociações imobiliárias do casal. Tal medida é uma tentativa de evitar que a investigação tenha que passar para a Procuradoria-Geral da República por envolver Jair Bolsonaro.

Atualmente a advogada trabalha como assessora da deputada federal Celina Leão (PP-DF) e recentemente se mudou para uma mansão de 3,2 milhões de reais junto com Jair Renan, ‘filho 04’ do presidente.

A mudança também é alvo de suspeitas e pode ter sido comprada pela família usando um ‘laranja’, já que foi adquirida por um corretor de imóveis dias antes dos dois alugarem o local. O corretor, apesar de ser dono da mansão, vive em uma região modesta de Brasília. O salário de Ana é de apenas 6,2 mil reais e o aluguel estimado do local é de ao menos 15 mil reais. Jair Renan está em seu primeiro negócio, uma empresa de eventos, aberta com ajuda do lobista Marconny Faria investigado pela CPI. A empresa do ‘04’ também é alvo de apuração por suposto tráfico de influência.

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