Política

Ex-assessora de Flávio confessou rachadinha em depoimento ao MP

Depoimento de Luiza Souza Paes é o primeiro a admitir a prática, aponta jornal

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma das ex-assessoras do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigada no esquema de rachadinhas no gabinete do filho do presidente na época em que ele era deputado estadual, admitiu ter depositado a maior parte de seu salário na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em contas vinculadas a Fabrício Queiroz, ex-assessor e amigo de Flávio.

O depoimento de Luiza Souza Paes é o primeiro a admitir a prática e foi concedido ao Ministério Público do Rio de Janeiro ao longo das investigações. Os autos foram obtidos pelo jornal O Globo e publicados nesta quarta-feira 4, mesmo dia em que o MP denunciou formalmente Flávio e outros assessores por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Luiza afirmou que nunca chegou a trabalhar efetivamente como assessora parlamentar no gabinete de Flávio, apesar de ter sido empossada e ter recebido, entre agosto de 2011 e abril de 2012, 4.966,45 reais. Ela apresentou extratos bancários que comprovam depósitos e transferências em cerca de 160 mil reais para Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema de desvio de salários – e, tratando-se de um cargo parlamentar, de verba pública.

No depoimento ao MP, Luiza afirmou que seu pai, Fausto, era amigo de Queiroz desde uma época em que as duas famílias moravam próximas. Buscando um estágio para a área de contabilidade, Luiza pediu ajuda a Queiroz, que disse que iria ajudar.

As condições do pagamento quebrado, a “rachadinha”, foram esclarecidas no dia em que foi tomar posse, em 12 agosto de 2011. Nesse momento, Queiroz teria dito que a equipe do gabinete não tinha nenhuma tarefa prevista para a nova funcionária, mas que entrariam em contato quando ela precisasse comparecer. No entanto, isso nunca teria acontecido, diz Luiza, e o depósito de 90% do salário dela foi regularizado sem que Luiza trabalhasse efetivamente no gabinete.

Cerca de um ano depois da nomeação, ela foi nomeada em outro cargo na Alerj. Mesmo saindo do gabinete, o esquema de desvio de dinheiro deveria continuar conforme o acordado com Queiroz, relatou.

A ex-assessora citou outros casos semelhantes ao seu: as duas filhas mais velhas de Fabrício Queiroz, Nathália e Evelyn, e Sheila Vasconcellos, amiga da família Queiroz. As investigações já apontavam 878,4 mil reais provenientes de pagamentos das três ao operador do esquema.

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