Política

PSB vive racha após deixar o bloco de Lira e Centrão tenta reverter a decisão

Gleisi Hoffmann e outros líderes, por outro lado, veem a debandada como uma chance de fortalecer o bloco governista

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira (PP-AL). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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Menos de uma semana após assumir a liderança do PSB na Câmara, o deputado federal Gervásio Maia (PB) se vê diante do desafio de desatar os nós criados em torno da saída da legenda do bloco partidário comandado pelo PP de Arthur Lira e outras siglas que integram o chamado Centrão.

A debandada foi oficializada na segunda-feira, em ofício entregue à presidência da Câmara. Mas apenas 10 dos 14 parlamentares da bancada assinaram o documento.

Desde então, aliados de Lira e uma ala do PSB iniciaram uma operação para reverter a decisão – o movimento envolve ameaças de retaliação ao partido e tem como pano de fundo a queda de braço do Congresso com o governo Lula (PT).

O martelo sobre abandonar ou não o bloco partidário só deve ser batido após o Carnaval, apurou CartaCapital. Esse foi o entendimento firmado durante uma reunião da bancada realizada na tarde desta quarta-feira.

A interlocutores, Lira avaliou a saída do PSB como uma articulação do Planalto para tentar enfraquecê-lo. Indicou também que o rompimento na aliança pode impor reveses à sigla, a exemplo de parcerias costuradas nos estados com vistas às eleições municipais deste ano.

Todos esses argumentos foram expostos a Maia durante uma ligação com o deputado alagoano que durou pouco mais de 10 minutos, de acordo com relatos de pessoas próximas a ambos. Parlamentares da sigla já haviam comunicado o líder do Centrão sobre a ruptura há algumas semanas.

Por outro lado, a saída do bloco é vista com empolgação por lideranças de outras siglas. Mais cedo, o líder da bancada chegou a se reunir com a deputada Glesi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, de quem ouviu insistentes apelos para aderir ao bloco petista.

Lideranças governistas ainda acreditam que a articulação pode reavivar as discussões sobre o ingresso do PSB na Federação Brasil da Esperança, que também reúne PV e PCdoB e conta com 81 deputados. A entrada do partido elevaria para 95 o número de integrantes da bancada, uma cadeira a menos que o PL.

Caciques do PSD, MDB, Republicanos e Podemos também passaram a cortejar lideranças pessebistas nos últimos dias. As quatro siglas integram o segundo maior bloco da Câmara e tentam ampliar a quantidade de parlamentares, uma estratégia para aumentar o poder de barganha em votações importantes.

O PSB tem 14 das 513 cadeiras da Casa – o número pode até parecer inexpressivo, mas tem relevância nos cálculos feitos por cardeais do Centrão sobre a sucessão de Lira, em 2025. A legenda aderiu ao bloco no primeiro semestre do ano passado, em meio à movimentação de partidos para a disputa interna.

Como não pode se reeleger, o parlamentar alagoano tem indicado preferência pelo nome de Elmar Nascimento (União-BA) para sucedê-lo.

O Republicanos deve lançar Marcos Pereira (SP). O PSD, por sua vez, cogita a candidatura de Antônio Brito (BA). Corre por fora ainda Isnaldo Bulhões (AL), pelo MDB.

Com a saída do PSB, o bloco partidário continua sendo o maior da Câmara, com 162 deputados.

Segundo o artigo 12 do regimento interno da Casa, um bloco parlamentar “tem existência circunscrita à legislatura, devendo o ato de sua criação e as alterações posteriores ser apresentados à Mesa para registro e publicação”.

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