Política

Entrada do Republicanos no governo precipita debate sobre sucessão de Lira

Embora falte pouco mais de um ano e meio para a eleição, marcada para fevereiro de 2025, o assunto já é alvo de conversas

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
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O avanço das negociações sobre o ingresso do Republicanos na Esplanada dos Ministérios de Lula precipitou uma discussão que pode ser importante para consolidar a base de apoio à gestão petista: a sucessão no comando da Câmara dos Deputados.

Embora falte pouco mais de um ano e meio para a eleição, marcada para fevereiro de 2025, o assunto já é alvo de conversas, segundo relatos de pessoas que participam das articulações.

Um dos principais nomes para suceder Arthur Lira (PP-AL) é o deputado Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos.

Interlocutores do Palácio do Planalto admitem que uma eventual aliança com a legenda seria uma alternativa relevante para contrapor a influência que Lira exerce sobre o deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), seu potencial candidato à sucessão.

Integrantes do PT acrescentam que o líder do Republicanos tem um “perfil moderado” e mantém boa relação com todas as bancadas, característica importante para lidar com o perfil conservador da Câmara.

Para os próximos dias, a articulação política do governo prepara uma reunião entre Pereira e Lula. Será o primeiro encontro entre eles no terceiro mandato do petista.

Esta não é a primeira vez que aliados de Lula fazem acenos a Pereira e à cúpula do Republicanos. Os recados chegaram a caciques da sigla ainda durante as negociações em torno da PEC da Transição, responsável por viabilizar o pagamento do Bolsa Família de 600 reais.

Em troca do apoio ao texto, a bancada do PT chancelaria as indicações de Jhonatan de Jesus (RR) para uma vaga no Tribunal de Contas da União e de Pereira para a vice-presidência da Câmara.

Recentemente, as conversas têm como pano de fundo a indicação de Silvio Costa Filho, parlamentar bem avaliado por petistas em Pernambuco, para um espaço no primeiro escalão. Nos corredores do Congresso, ele já é chamado de ministro – falta definir, porém, de qual pasta.

Além de Costa Filho, o líder do PP na Câmara, André Fufuca (MA), espera uma decisão sobre qual ministério será oferecido a ele.

O caminho para uma aliança – mesmo que indireta – com o Republicanos, contudo, passa por alguns percalços. A ala bolsonarista da sigla rejeita a aproximação com o Palácio do Planalto, mesmo que a bancada tenha votado majoritariamente a favor de pautas importantes para o governo.

Um dos empecilhos é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que disse considerar sair do partido em meio às discussões sobre o apoio da sigla à gestão petista. O futuro do bolsonarista no Republicanos deve ser discutido durante reunião com Pereira neste fim de semana.

Acredita-se que a solução para a debandada de nomes importantes seria manter a posição de independência do partido e considerar que a indicação de Costa Filho será da cota pessoal de Lula.

Procurado para comentar o assunto, Marcos Pereira não atendeu os contatos da reportagem. O espaço permanece aberto.

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