Política

‘Minha vingança será fazer o Brasil voltar a ser grande’, diz Lula, de volta a Curitiba após a prisão

Em um discurso inflamado, ex-presidente disse estar vivendo o dia mais emocionante da sua vida ao reencontrar integrantes do acampamento Lula Livre

Foto: Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Lula (PT) voltou a Curitiba pela primeira vez depois de ter passado 580 dias preso em uma cela da Polícia Federal, entre 2018 e 2019. Na capital paranaense o petista reencontrou nesta sexta-feira 18 uma multidão de quase 4 mil apoiadores, que lotaram um centro de eventos para ver Lula filiar o ex-governador Roberto Requião, fundador do MDB no Paraná, ao Partido dos Trabalhadores.

Já passava das 20 horas quando os dois políticos subiram ao palco para iniciar o evento. Impaciente, os apoiadores entoavam há vários minutos os tradicionais gritos de ‘olê, olê, olâ, Lula, Lula’ e ‘boa noite, presidente Lula’, que diariamente marcavam a chegada da noite no acampamento Lula Livre, em frente a sede da PF.

Emocionado por reencontrar os integrantes da vigília que o acompanhou por mais de 500 dias, Lula ouviu pacientemente os discursos de figurões do PT nacional, que vieram celebrar a entrada de Requião no PT. As declarações eram, a todo momento, interrompidas por gritos direcionados ao presidente.

Os burburinho e os discursos de outras lideranças abriram caminho para Requião. O ex-emedebista, explicou à multidão presente o que motivou sua escolha e prometeu montar uma verdadeira frente ampla para derrotar o ‘bolsonarismo moleque’ de Ratinho Junior.

“Entro no PT com as mesmas convicções, princípios e compromissos que assumi ao assinar a ficha número 1 do MDB, há 40 anos”, destacou o ex-governador. “A filiação de hoje é, na verdade, uma renovação dos votos”, acrescentou.

Requião assina a filiação ao PT.
Foto: Ricardo Stuckert

Ao celebrar já ter ao seu lado o PCdoB e o PV, que integram a federação partidária com o PT, Requião garantiu que pretende anunciar em breve uma aliança com o PDT, Rede e PSOL no estado.

“Apesar das nossas diferenças, nosso objetivo último é o mesmo: tirar Bolsonaro do poder e reconstruir o país”, disse. “Essa reconstrução nacional é infinitamente maior do que qualquer diferença que a gente possa ter”, acrescentou em defesa da aliança ampla.

Antes de ser quase interrompido pelos gritos da multidão num misto de celebrações e impaciência para ouvir Lula, Requião ainda disse que seu maior compromisso será ‘desprivatizar o Paraná’ e convocou antigos aliados do MDB para se integrarem à sua frente ampla.

“Convoco os velhos companheiros do MDB velho de guerra, que ainda tem compromisso com o povo, para esse movimento. O resto já está à deriva”, finalizou, entregando a palavra a Lula, a quem se referiu como o ‘único candidato capaz de derrotar Bolsonaro e reconstruir o país neste momento’.

Ao discursar, Lula apresentou sua versão ‘mais radical’

Faltavam 10 minutos para as 22 horas quando Lula assumiu o microfone do evento. Ao iniciar o discurso, o petista não escondeu a empolgação, classificando a noite desta sexta-feira como a mais emocionante de sua vida por reencontrar lideranças da vigília Lula Livre pela primeira vez desde que deixou a prisão.

Em um dos seus discursos mais inflamados dos últimos meses, Lula anunciou que, caso seja levado a um novo mandato, como mostram as pesquisas, ele terá como linha de atuação um ‘Estado forte’. Ao fazer o anúncio, ironizou a atuação da mídia hegemônica por classificar suas promessas como ‘radical demais’.

“Eu não acredito em Estado fraco e quero fazer um Estado forte. Quero fazer um Estado que não gaste todo o dinheiro pagando juros para o sistema financeiro, mas sim que garanta direitos ao povo brasileiro”, prometeu.

“E não me digam que estou radical demais, que sai da prisão mais nervoso e querendo vingança, porque não aprendi a ter raiva. A minha vingança será provar que podemos fazer o Brasil voltar a ser grande”, acrescentou o ex-presidente.

Lula sugeriu ainda que pretende reestatizar a Petrobras, bem como barrar as vendas de outras estatais, como Correios e Eletrobras. O petista criticou ainda Bolsonaro por não atuar para controlar o preço dos combustíveis.

“Não é possível um presidente dizer que não pode mexer nos preços da Petrobras e colocar a culpa na guerra. É mentira”, disse. “No meu governo o barril de petróleo era 147 dólares e a gasolina custava 2,60 reais”, completou.

A lenda do Paraná conservador

Antes de chegar ao centro de eventos, Lula os apoiadores tiveram que ‘enfrentar’ pequenos protestos de eleitores de direita que ocupavam uma faixa da rua em frente ao local com um caminhão de som. Cerca de 12 pessoas acompanharam os três carros de som com áudios contra Lula.

Sobre uma suposta predominância de um eleitorado conservador na capital paranaense, que chegou a ser chamada de República de Curitiba no auge da operação Lava Jato, o ex-presidente rebateu:

“Nunca aceitei essa ideia de dizer que o Paraná é conservador e antipetista. Nunca vi isso aqui. O Paraná vai ser o que a gente tiver disposição para construir”, afirmou. “Um estado com coragem de eleger Lula e Gleisi não pode nunca ser chamado de conservador”, complementou.

Leitura semelhante foi feita por Requião em entrevista recente a CartaCapital ao relembrar que foi eleito três vezes governador do estado sem nunca sequer flertar com a direita.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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