Economia
Lula ‘provoca’ Trump com Pix e evita crise do STF em ato de campanha no interior de SP
Ao lado de Haddad, petista concentra discurso na disputa paulista e não menciona a crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça
O presidente Lula (PT) aproveitou o ato de campanha ao lado de Fernando Haddad (PT), neste sábado 5, em São José do Rio Preto (SP), para explorar novamente a disputa comercial com os Estados Unidos e “provocar” o presidente Donald Trump em torno do Pix. Lula afirmou que pretende defender o sistema de pagamentos brasileiro em um eventual encontro com o norte-americano durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro.
“Eu vou encontrar o Trump na ONU e dizer para ele fazer um Pix e ver o quanto é bom”, afirmou Lula. Em outro momento, disse que o presidente dos Estados Unidos “quer acabar com o Pix”. O sistema foi incluído entre os temas questionados pelo governo americano nas medidas comerciais contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) classificou o Pix como uma prática que favoreceria o sistema brasileiro em detrimento de provedores norte-americanos.
A fala sobre Trump ocorreu em meio à defesa feita por Lula de uma política de desenvolvimento tecnológico menos dependente das grandes potências. O presidente disse que o Brasil deve desenvolver inteligência artificial em português e afirmou: “Eu não quero ficar dependente nem da China e nem dos Estados Unidos”. Também defendeu a expansão da infraestrutura de data centers no País.
Crise do STF fica fora do discurso
Apesar de a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal estar entre as principais pautas do momento, Lula não tratou do tema no ato. A omissão ocorre em meio às revelações de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que mencionam contatos com o ministro Alexandre de Moraes e um contrato de 131 milhões de reais entre o banco e o escritório de sua mulher.
A escolha também foi seguida pelos principais aliados que estavam no palanque. Em vez de comentar o episódio, os discursos se concentraram na campanha de Haddad, nos ataques ao bolsonarismo, no Banco Master e na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Lula direcionou parte importante de sua fala à candidatura de Haddad. Ao atacar Tarcísio, disse ser inadmissível que o eleitor paulista tenha escolhido em 2022 “um cara do Rio de Janeiro” em vez de um político “formado na USP”, que foi prefeito de São Paulo e ministro da Educação e da Fazenda.
“Eu desafio vocês lembrarem de alguma obra que esse homem [Tarcísio] fez em São Paulo. Duvido, duvido”, afirmou o presidente.
Haddad, por sua vez, adotou um tom mais agressivo contra o governador. O candidato petista afirmou que, caso seja eleito, receberá um Estado com apenas 5 bilhões de reais em caixa, ante 22 bilhões de reais no início da atual gestão, e disse que o montante atual seria suficiente para bancar apenas uma semana de despesas.
“Isso que está acontecendo no Estado de São Paulo não acontece há 30 anos”, afirmou. Haddad também criticou as áreas de educação, saúde e segurança e afirmou que pretende assumir uma “tarefa dura” caso vença a eleição.
O candidato ao governo do Estado de São Paulo Fernando Haddad (PT). Foto: Diogo Zacarias/Campanha
O candidato levou o caso Banco Master para o centro do discurso. Ao associar a instituição ao governo Jair Bolsonaro (PL), classificou o episódio como uma “máfia” e citou relações do banco com integrantes de administrações anteriores. Haddad também atacou diretamente Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, mencionando o patrimônio do senador e a relação dele com Daniel Vorcaro.
Lula em território hostil
A agenda no interior paulista teve um componente simbólico. Antes do comício em São José do Rio Preto, Lula esteve em Barretos, onde visitou o Hospital de Amor. A cidade é um reduto eleitoral do bolsonarismo: Jair Bolsonaro obteve 62,8% dos votos válidos no segundo turno de 2022, contra 37,2% de Lula. Na disputa pelo governo paulista, Tarcísio teve 63,77% em Barretos, enquanto Haddad ficou com 36,23%.
A presença de Lula na região ocorre menos de duas semanas depois de Flávio Bolsonaro ter participado da Festa do Peão de Barretos. Em 22 de agosto, o candidato à Presidência foi apresentado no palco como candidato ao cargo e fez um discurso voltado ao agronegócio.
“Vamos resgatar o nosso agro, o agro vai voltar a ser um grande orgulho mundial”, afirmou Flávio. Na ocasião, ele estava acompanhado de Tarcísio e foi recebido com manifestações favoráveis do público.
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