Ex-ministro da Saúde diz que Copa América é uma ‘escalada de genocídio no Brasil’

Alexandre Padilha classifica como falácia dizer que o evento será seguro tendo 10 delegações viajando para o Brasil

Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

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Política

O ex-ministro da Saúde e atual deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) criticou nesta quarta-feira 2 a realização da Copa América no Brasil em meio ao agravo da pandemia do novo coronavírus, que até o momento já matou quase meio milhão de brasileiros.

Em entrevista a CartaCapital, o médico classificou o evento como “escândalo”.

“Mais uma vez, Bolsonaro prova que não tem nenhum limite em decisões de estímulos a aglomerações, de normalizar a tragédia que nós vivemos diariamente  e de normalizar a situação de cidades que entraram em colapso no sistema de saúde, como Manaus. Temos que impedir a organização do evento para interrompermos a escalada desse genocídio no Brasil”, disse.

Antes do País ser escolhido como sede do torneio, EUA, Argentina, Colômbia e Chile recusaram receber o evento. A Conmebol anunciou a nova escolha na última segunda-feira 31 e agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro pelo apoio. 

Na terça-feira 1, Bolsonaro confirmou o evento e disse que todos os ministros de seu governo eram a favor.

“Não é a toa que esses quatro países, que têm outros campeonatos sendo realizados, se negaram a fazer a Copa América. Porque um evento como esse tem riscos mais elevados, como a concentração em poucos dias de delegações inteiras de dez países diferentes, além dos trabalhadores que vão estar na linha de frente e sem vacina”, afirmou.

Tanto Bolsonaro quanto a Conmebol afirmaram que o evento será realizados de forma segura, seguindo exemplos de outros campeonatos e sem público. Para Padilha, a afirmação é uma falácia.

“É uma falácia que exista qualquer tipo de segurança em um evento como esse. É um escândalo ele acontecer em cidades que têm leitos de UTI lotadas e sem vacinação em massa. É um escândalo a Conmebol escolher um país com recordes de mortes na América do Sul para sediar um evento como esse”, reforça o ex-ministro.

Para Padilha, a articulação do governo para realizar o campeonato no Brasil faz parte da estratégia de ‘imunidade de rebanho’, defendida por Bolsonaro e seus apoiadores.

“O evento busca dar um ar de normalidade para a situação no Brasil. Faz parte da estratégia do governo federal na chamada ‘imunidade de rebanho’, que quanto mais rápido infecta, mais rápida a pandemia será superada, o que se mostrou falho. Não existe unidade de rebanho na Covid-19, existe mortalidade de rebanho, fora que já foi provado que pessoas podem se reinfectar e cidades podem entrar em colapso”.

O evento está marcado para se iniciar no dia 11 de junho nos estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás.

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Repórter do site de CartaCapital

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