Bolsonaro ataca Lula, critica encontro com Macron e pede sugestões para governar

Em entrevista, presidente também afirmou que proibiu Valdemar da Costa Neto de fechar alianças entre PL e a esquerda

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

O presidente Jair Bolsonaro reclamou nesta quinta-feira 25 de não receber nenhuma ideia de proposta dos adversários na corrida eleitoral. Para ele, dos concorrentes, só chegam ‘pedras’, mas ‘nenhuma alternativa’ para resolver os problemas criados pela sua gestão à frente do governo federal. O lamento foi feito durante entrevista à rádio Sociedade, de Salvador, na Bahia.

“Ninguém chega pra mim, desses que são pré-candidatos, uma possibilidade de como evitar um problema, eles só vêm com pedra pra cima da gente, o tempo todo”, declarou Bolsonaro enquanto tratava dos problemas que o Brasil enfrenta com inflação e preços de alimentos.

O presidente repetiu a tese de que não é culpado pela crise econômica que atravessa o Brasil. De acordo com o ex-capitão, a culpa seria da política de isolamento dos governadores durante a pandemia.

Nos ataques aos adversários, o presidente mais uma vez focou em Lula (PT), apontado como favorito nas pesquisas eleitorais. Segundo o presidente, o petista não teria ‘apreço’ pela democracia.

“Só quer regulamentar a mídia quem realmente quer governar sem ela. Quem age dessa maneira não quer democracia. Sem imprensa livre, mesmo alguns da imprensa mentindo, não se pode falar em democracia. É essa a política dele”, disse Bolsonaro sobre as declarações recentes de Lula sobre regulamentar as redes sociais.

Questionado, também minimizou a relevância do encontro entre Lula e o presidente francês Emmanuel Macron na última semana. Para ele, o encontro é uma provocação de Macron e só reforçaria o interesse da França em atacar o Brasil.

“Na Europa quem não defende a questão ambiental, não tem mandato renovado. Tem que sempre bater em alguém e injustamente batem no Brasil. Então interessa mais pra ele [Macron] ter uma pessoa passiva e corrupta, como é o Lula, aliado dele no futuro caso seja presidente, do que eu”, disse.

“A França não é exemplo pra nós, muito menos o senhor Macron. Seu Macron está muito bem acompanhado de Lula e Lula muito bem acompanhado do seu Macron. Eles se entendem e falam a mesma linguagem”, acrescentou em seguida em tom de ataque.

‘Casamento com o Centrão’ e sem alianças com a esquerda

Na entrevista, Bolsonaro voltou a confirmar a data do seu ‘casamento’ com o Centrão, confirmando a data de filiação ao PL no dia 30 de novembro. Ele afirmou que os entraves para sua chegada ao partido, que eram as indicações ao governo de São Paulo e possíveis apoios do PL a partidos de esquerda no Nordeste, foram acertados na segunda-feira em uma conversa com Valdemar Costa Neto.

“Está marcada a minha filiação para a próxima terça-feira. Não foi dia 22 porque eu estava fora do Brasil e faltavam alguns acertos, em especial São Paulo e alguns estados do Nordeste. Conversei há três dias com o Valdemar e acertamos os nossos ponteiros. Estamos bem afinados para, ao realizar essa filiação, começarmos a falar em política para o ano que vem”, disse.

Ainda sobre o Nordeste, o ex-capitão reforçou que o ‘acerto de ponteiros’ decretou o fim das alianças do PL com partidos da esquerda para 2022.

“Foi acertado aqui que não haverá qualquer coligação com partidos de esquerda nos estados. Isso está definitivamente acertado entre eu e Valdemar”, reforçou Bolsonaro.

O presidente também confirmou o interesse em lançar Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. Mas disse que a indicação ainda é apenas ‘uma possibilidade’.

A conversa também foi marcada por velhas declarações negacionistas de Bolsonaro. Ele voltou a repetir que contaminados teriam mais imunidades do que vacinados e atribuiu a uma suposta ‘ineficácia’ dos imunizantes a nova onda da Covid-19 que toma conta da Europa. O presidente, no entanto, a parcela de não vacinados no aumento dos casos nestas regiões.

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Repórter do site de CartaCapital

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