Bolsonaro quer formar chapa em SP com Tarcísio no governo e Salles no Senado

Tarcísio, no entanto, ainda não aceitou a ideia do presidente e Salles só fechará questão depois da decisão final do ministro

Fotos: Isac Nóbrega/PR; Marcos Corrêa/PR; e Carolina Antunes/PR

Fotos: Isac Nóbrega/PR; Marcos Corrêa/PR; e Carolina Antunes/PR

Política

Para ter Jair Bolsonaro em 2022, o PL de Valdemar Costa Neto aceitou se distanciar do PSDB e formar uma chapa de bolsonaristas de primeira ordem nas eleições de São Paulo. Os indicados do presidente para compor o quadro no estado são: Tarcísio de Freitas ao governo e Ricardo Salles ao Senado.

A costura política dos sonhos de Bolsonaro, divulgada nesta quinta-feira 25 pelo jornal Folha de S. Paulo, no entanto, ainda enfrenta dificuldades. Tarcísio, que hoje é ministro da Infraestrutura do governo federal, não aceitou a proposta do presidente de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Salles, por sua vez, teria recebido bem a ideia, mas diz que só aceitará concorrer se o ministro estiver no palanque.

Fontes próximas ao ministro indicaram ao jornal que ele estaria relutante por vários motivos. Primeiro, seu nome, apesar do apoio do presidente, não tem peso eleitoral no estado. A candidatura, portanto, seria apenas um sacrifício para abrir palanques ao ex-capitão no estado.

Na leitura de aliados, o melhor caminho para Tarcísio seria buscar uma vaga como senador por Mato Grosso ou Goiás, onde é mais conhecido. Uma recusa à proposta de Bolsonaro, porém, pode transformar o apoio do presidente em abandono, fazendo de Tarcísio um ex-aliado.

Caso receba um não de Tarcísio, Bolsonaro terá ao menos três problemas. Primeiro, encontrar um substituto ao governo de SP. Nomes próximos ao presidente indicam que ele não tem um plano B. O mais próximo disso seria um possível apadrinhamento de Paulo Skaf, ex-presidente da Fiesp. O que não agrada 100% aos bolsonaristas.

O segundo problema seria Salles. Sem Tarcísio, o ex-ministro do Meio Ambiente também não toparia o desafio proposto pelo presidente e buscaria uma vaga para a Câmara dos Deputados, onde já contabiliza uma derrota em 2018, quando foi candidato a deputado pelo Novo. Skaf também seria uma espécie de plano B neste caso.

O terceiro problema surge se Bolsonaro de fato não encontrar um substituto para sua chapa dos sonhos. Sem nomes, o PL paulista poderá voltar a apoiar Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo, o que representaria uma derrota ao ex-capitão, já que o tucano é o apadrinhado de João Doria no estado. A possibilidade ganha ainda mais forças se Eduardo Leite (PSDB-RS) vencer as prévias.

Além de SP, Bolsonaro também enfrentará problemas para formar sua chapa dos sonhos em Goiás. No estado, a intenção do presidente é indicar o Major Vitor Hugo (PSL-GO) ao governo. O nome, no entanto, não é bem aceito pelo PL, que quer formar palanque com Gustavo Mendanha, atual prefeito de Aparecida de Goiânia pelo MDB.

Todas essas definições de chapa devem ser fechadas até o dia 30 de novembro, data marcada por Valdemar e Bolsonaro para oficializar o ‘casamento’. Tanto o dirigente, quanto o ex-capitão, confirmaram na quarta 24 que ‘está tudo certo’ para o evento. Bolsonaro inclusive teceu elogios ao futuro colega de legenda, dizendo que ele é conhecido por ‘honrar a palavra’.

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Repórter do site de CartaCapital

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