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O alívio peronista: como apoiadores de Massa receberam o resultado da eleição na Argentina

Ato organizado em Buenos Aires foi marcado por forte presença de sindicatos; Massa enfrentará Milei no 2º turno

Sergio Massa discursa para apoiadores após vencer o 1º turno da eleição Argentina; ele efrentará Milei no dia 19 de novembro. Foto: JUAN MABROMATA / AFP
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Já passava das nove horas da noite do domingo 22 quando, no bunker montado pelo candidato à presidência da Argentina Sergio Massa, no bairro de Chacarita, em Buenos Aires, os resultados oficiais confirmavam: o peronista, contrariando quase todas as pesquisas eleitorais nas últimas semanas, era o mais votado no primeiro turno. Seu adversário no segundo turno, que acontecerá no dia 19 de novembro, será o ultralibertário Javier Milei.

“O nosso país não está à venda!”, gritavam os apoiadores de Massa, em claro recado a Milei, que pretende, caso eleito, promover uma onda liberal na Argentina, com privatizações, redução dos subsídios à população e transformação do papel do Estado. “Dissemos ‘não’ à destruição do Estado argentino”, repetia, entusiasmado, um grupo do comitê da juventude do Partido Justicialista, de Massa.

A festa no ‘bunker de campanha’ de Massa, em Buenos Aires, na Argentina.
Foto; André Lucena/CartaCapital

“É um alívio”, revela Gonzalo Armúa, 37, que é professor e acredita que a Argentina “vive uma situação complicada, com inflação e problemas de salário, e essa direita, que não é apenas argentina, pretende romper com tudo e pode piorar ainda mais a situação”. 

O alívio, porém, começou tímido. Antes da chegada de Massa ao comitê, por volta das 19h30, o clima era de expectativa, mas, também, de tensão. Especialmente porque, a poucos quilômetros dali, no bunker de Milei, apoiadores do candidato liberal cravaram que a noite de ontem resolveria, em definitivo, a eleição na Argentina. Acreditavam, como dizia o próprio candidato, que poderiam ganhar no primeiro turno.

Se a tensão entre os eleitores mais espontâneos de Massa era latente, os sindicalistas compensavam o peso da noite que parecia se arrastar sem a chegada dos resultados oficiais com um clima de festa típico das torcidas de futebol da Argentina: charangas, gritos de apoio, palavras de ordem, bandeiras e muita simbologia peronista. 

Fotos de Juan Domingo e Evita Perón eram exibidas em cartazes por todo o lado. Assim como, sempre que era citada, Cristina Kirchner, ex-presidente do país e atual vice de Alberto Fernández, era aplaudida pela maioridade.

Frente ao palco em que, mais tarde, discursaria Massa e alguns do principais candidatos do peronismo – como o governador reeleito de Buenos Aires, Axel Kicillof, por exemplo -, as principais entidades de classe do país mostraram que, apesar das disputas internas no peronismo (como o fato da própria Cristina Kirchner quase não ter participado da campanha), os sindicatos não abrem mão do apoio a Massa. Especialmente pelo temor sobre o que poderá fazer Milei, caso seja presidente.

“É um momento decisivo para o nosso país, além de ser um resultado que nos dá bastante esperança. É muito recente o que aconteceu na crise dos anos 1990 e em 2001, que nos impuseram os fantasmas neoliberais resgatados no discurso de Milei”, diz Guadalupe Fernández, 52, vinculada à Unión Del Personal Civil de La Nación (UPCN), o principal órgão que representa os servidores públicos na Argentina

“Ele [Milei] tem um discurso que surpreende, que prega a destruição total do Estado, que consagra o individualismo, e é muito parecido com o de Bolsonaro; mas nós temos um projeto de país para seguir adiante com um país desenvolvido e com inclusão regional”, acredita Fernández. 

Ela, que trabalha no Ministério da Cultura, crê que a vitória de Milei nas PASO – as eleições primárias do país – foram um gesto de insatisfação, mas que, à medida que a campanha foi se desenvolvendo, “a população percebeu que o discurso dele é vazio”.

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