Entrevistas

Cristovam Buarque diz que postura de Ciro contra Lula é ‘insana’ e defende a desistência de Tebet

Em entrevista a CartaCapital, o ex-ministro da Educação aponta os riscos que a democracia corre em caso de segundo turno com Bolsonaro

Foto: Reprodução
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O ex-ministro da Educação Cristovam Buarque defendeu nesta quinta-feira 22 que a senadora Simone Tebet (MDB) retire a sua candidatura ao Planalto em favor da vitória do ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno. Em entrevista a CartaCapital, o ex-governador ainda sugeriu que integrantes do PDT convençam Ciro Gomes a fazer o mesmo.

Buarque formalizou nesta semana, ao lado de outros ex-candidatos a presidente, o seu apoio ao petista. Além dele, estiveram presentes no evento Marina Silva (Rede), Luciana Genro (PSOL), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e João Vicente Goulart.

“Lula é o mais preparado para trazer coesão e rumo para o Brasil. Ele é o que tem mais condições de enfrentar esse abismo que estamos chamado Bolsonaro”, afirmou o ex-governador. “Lula demonstrou que quer ser um aglutinador no processo político”.

O ex-senador pontuou que a democracia brasileira corre riscos caso o presidente Jair Bolsonaro (PL) consiga levar a eleição para o segundo turno. Pesquisa Datafolha divulgada horas depois da conversa mostra que Lula tem 50% dos votos válidos e pode vencer o pleito sem a necessidade de um confronto direto com o ex-capitão.

“Se a gente pode se livrar da disputa com Bolsonaro no dia 2 [de outubro], por que esperar o dia 30?”, questionou Buarque. “Não vejo razão, pois serão quatro semanas angustiantes, de milícias nas ruas, o Exército mobilizado e o Bolsonaro ainda com o poder da caneta”.

O ex-titular da Educação também condenou a postura recente de Ciro, que fez de Lula e do PT os principais alvos de suas críticas e ataques.

“Acho lamentável [a postura do Ciro], mas sinceramente não me surpreende. Eu nunca vi o Ciro como uma alternativa”, declarou. “Agora, ele foi além que eu imaginava. Quando eu o vi comparando os filhos do Lula aos de Bolsonaro, eu disse que ele não estava nas plenas faculdades mentais. Ele chamou o PT de fascista. Eu creio que ele se perdeu completamente. Vai ser duro recuperar o PDT depois das manchas que o Ciro está colocando sobre o partido”.

Questionado sobre se o comportamento do pedetista deriva de um cálculo eleitoral para as próximas eleições, Buarque afirmou que a atitude é “antipatriótica e insana”.

“O cálculo eleitoral na idade dele, 66 anos, poderia ser desejar que Bolsonaro vença, porque aí ele viraria o nome da oposição, já que Lula com 76 anos não teria condições de liderar em 2026”, disse. “[Mas] seria um cálculo errado. Ele deveria fazer uma campanha discreta e não se antagonizando tanto com as milhões de pessoas que se identificam com o bloco progressista”.

Na avaliação de Buarque, Tebet perde uma oportunidade de se tornar uma grande liderança nacional ao não deixar a disputa. “Ela ficaria como a fiel da balança”.

Sobre um possível governo Lula, o ex-senador afirmou que é plenamente possível acomodar as visões divergentes que vão de Boulos a Meirelles.

Assista a entrevista:

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