Observatório do Banco Central

Formado por economistas da UFRJ, analisa a economia suas relações fundamentais com a moeda e o sistema financeiro

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Uma agenda para 2022

Os pesquisadores que colaboram com o OBC continuarão mantendo o seu posicionamento científico e crítico na discussão das grandes questões nacionais

Foto: Nelson Jr./ASICS/ TSE Foto: Nelson Jr./ ASICS/ TSE
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“O elo deste grupo heterogêneo de pesquisadores é uma visão crítica da teoria econômica convencional. Somos críticos ao (neo)liberalismo econômico: não acreditamos nas falácias da mão invisível, da superioridade do livre mercado etc. As falhas de mercado predominam nas economias capitalistas:  como preconizado por Keynes, o estado deve ser forte e interferir ativamente na economia

A parceria entre a CartaCapital e o Observatório do Banco Central, grupo de pesquisa sediado no Instituto de Economia da UFRJ, é um sucesso. No início de 2022, alcançamos a marca de 36 artigos semanais publicados.

Ao longo desses meses, pesquisadores de diferentes formações e escolas de pensamento estão se empenhando para construir um espaço coletivo de debate, aberto e acessível. O que nos une é uma visão crítica da teoria econômica convencional. 

Somos críticos ao (neo)liberalismo econômico, que domina corações e mentes mundo afora. Não acreditamos nas falácias da mão invisível e da superioridade do livre mercado. Ao contrário, consideramos que as falhas de mercado predominam nas economias capitalistas. Portanto, como pontificou John Maynard Keynes, julgamos que o estado deve ser forte e interferir ativamente na economia.

Já no plano político, nos aproximamos do liberalismo. Militamos em defesa das minorias e da igualdade de direitos. Consideramos que as democracias republicanas representativas – a despeito de todos os seus problemas – são a única forma possível de administrar conflitos. Em poucas palavras, a política é o único caminho viável.

Não ignoramos os graves casos de corrupção revelados no escândalo do mensalão, que originou a operação Lava Jato. Acreditamos que eles devem ser propriamente investigados, mas nos opomos à condução não criteriosa e irresponsável do ex-juiz Sergio Moro. A escandalosa imparcialidade do magistrado – que o tornou suspeito  pelo STF em 2021 e levou à anulação do processo que condenou Lula – virou o país de cabeça para baixo. 

O clímax deste movimento se deu nas eleições de 2018, quando um candidato supostamente fora do sistema foi eleito.

Esses absurdos não podem ser aceitos. A sociedade brasileira está pagando caro por esse erro coletivo de avaliação. O processo de desvalorização da política viabilizou amplo avanço de uma agenda econômica centrada em reformas liberalizantes. É preciso reverter, urgentemente, esse movimento. As reformas, ao contrário do prometido, sufocaram a economia, que segue em estado depressivo desde 2015.

É preciso um programa de revisão da reforma trabalhista. Os efeitos deletérios do desmonte da CLT já são observados nos dados mais recentes de emprego e de renda. A renda real, por exemplo, atingiu o nível mais baixo da série histórica disponibilizada pela PNAD Contínua, do IBGE.

Nos últimos anos, os ataques direcionados à ciência e à educação pública – especialmente a superior –, desaguaram no corte sistemático de verbas, o que resultou no sucateamento de nossas instituições de ensino. A tragédia da pandemia, nesse sentido, relembrou a importância da educação e da ciência. Entretanto,  ainda temos muito para avançar. E esse trabalho de divulgação e conscientização não vai parar!

Estamos em um ano decisivo para o Brasil. As eleições de 2022 se apresentam como um possível e necessário ponto de virada para os retrocessos civilizatórios que o Brasil vem sofrendo desde 2015. As reformas econômicas, iniciadas no governo Temer e expandidas por Bolsonaro e Guedes, cumpriram com o seu verdadeiro e perverso objetivo – porém não revelado – de promover a precarização do trabalho, da renda e da dignidade da maioria da população brasileira.

A pandemia foi um agravante, de fato, mas não podemos relativizar a incompetência do atual governo na condução das políticas econômicas e sociais. Visto por outro ângulo, pode se considerar que o atual governo foi muito hábil no sucateamento do Estado e na promoção da estagnação da economia. A economia ainda não reagiu, e não há razões concretas para supor que iremos voltar a crescer de forma sustentada – e com melhorias sociais – como nos anos anteriores.

Esse ano os pesquisadores que colaboram com o OBC continuarão mantendo o seu posicionamento científico e crítico na discussão das grandes questões nacionais. Nossas análises seguirão rigorosamente fundamentadas em dados e em evidências que trazem luz para o profundo e intenso debate que se espera durante a campanha. 

Por fim, cabe notar nosso agradecimento a algumas das instituições a que pertencem nossos colaboradores: UFRJ, UFF, UFRRJ, UERJ, UNICAMP, UFRGS, UFABC, entre outras. Também ressaltamos a contribuição de algumas pessoas que se destacam no debate político e econômico no Brasil, como: Antônio Alves Júnior, Carmem Feijó, Fernando Nogueira da Costa, João Sicsú e Luiz Fernando de Paula. Esperamos que possamos continuar contando com o privilégio de ter aqui expostas suas opiniões.

Que em 2022, a luz da ciência tenha a oportunidade de brilhar ainda mais, trazendo novas e primorosas contribuições para a continuidade desse espaço coletivo e democrático de divulgação e discussão de ideias.

 

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