Nós, reencarnacionistas, precisamos cuidar do planeta

O espiritismo tem tudo a ver com ecologia

Os brasileiros sabem da importância da preservação (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Os brasileiros sabem da importância da preservação (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Diálogos da Fé,Opinião,Sustentabilidade

Escreveu Allan Kardec em O Livro dos Espíritos:

“O uso dos bens da Terra é um direito de todos os seres humanos? Esse direito é consequente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao ser humano o meio de cumpri-lo.”

Que filhos nós queremos deixar para o mundo ou que mundo nós queremos deixar para nossos filhos? Essa dúvida tem intrigado famílias, educadores e todos que, minimamente, se preocupam com as relações entre seres humanos e o planeta que habitamos.

Para o querido professor e filósofo Mário Sérgio Cortella, “o mundo que vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que vamos deixar para o nosso mundo”.

Nós, enquanto reencarnacionistas, temos uma preocupação ainda maior, pois sabemos que precisamos deixar a casa em ordem para o nosso retorno, se tivermos a alegria de voltarmos a habitar o planeta Terra, uma das várias moradas possíveis do espírito.

 

“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai” (São João 14:1).

Poluição do ar, rios, lagos, mares, oceanos, solo, provocada, em sua maioria, por contaminação com agrotóxicos.

Queimadas em matas e florestas como forma de ampliar áreas para pasto ou agricultura. Desmatamento com o corte ilegal de árvores para comercialização de madeira. Esgotamento do solo, diminuição e extinção de espécies animais, provocados pela caça predatória e destruição de ecossistemas.

O educador Mário Sérgio Cortella fala da preservação do meio ambiente:

Falta de água para o consumo humano, causado pelo uso irracional, contaminação e poluição dos recursos hídricos. Acidentes nucleares que causam contaminação do solo por centenas de anos. Aquecimento global, causado pela grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa e a diminuição da camada de ozônio, provocada pela emissão de gases.

Desde que o ser humano surgiu na Terra, seus impactos sobre o meio ambiente lhe acompanharam. É evidente que os nossos antepassados, sem o conhecimento da tecnologia, tiveram um impacto menor do que nos dias de hoje.

O espiritismo tem muito a ver com ecologia e vice-versa, pois a responsabilidade de cada um de nós como espíritos imortais, responsáveis pelo planeta em que vivemos, também parte de nossa trajetória de progresso.

Engana-se quem pensa que o brasileiro pouco se importa com esse tipo de informação. A maioria tem o desejo de estar cada vez mais perto da natureza e sabe que também é sua própria responsabilidade cuidar do verde.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2018 com maiores de 16 anos, diferentes classes sociais e com representatividade nacional, demonstrou que o desmatamento e a poluição das águas continuam a ser vistos como as principais ameaças ao meio ambiente, com 27% e 26% de menções, respectivamente.

A caça e a pesca ilegais, juntamente com as mudanças climáticas, ocupam o terceiro lugar na preocupação dos entrevistados (16%). Obras de infraestrutura, como hidrelétricas, rodovias e portos, tiveram 15% de menções no ranking de maiores ameaças à natureza.

Além disso, as casas espíritas precisam abordar em suas palestras e atividades a relação indissociável do ser humano com o meio ambiente.

Outra grande lição vem do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), criticado por uma parcela da sociedade que só se informa por meio de correntes de Whatsapp ou por uma mídia ruralista.

O MST defende a agroecologia (Foto: ABr)

Para eles, não há como falar de agricultura sem levar em conta a questão ambiental. Independentemente do modelo agrícola que se proponha para o campo, o meio ambiente está intrinsecamente ligado.

Dessa maneira, o programa agrário do MST defende uma agricultura que esteja em harmonia e que respeite o meio ambiente. Por isso se baseiam na matriz tecnológica da agroecologia, que busca aliar os conhecimentos ancestrais do manejo com a terra e com as sementes, com a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, para que se possam produzir alimentos saudáveis em larga escala sem prejudicar as riquezas naturais. Comida boa, com responsabilidade ambiental e livre de veneno.

Para finalizar, pegamos emprestado a poética de Flammarion:

“Essas e outras tantas belezas são a presença discreta de Deus na natureza que nos cerca, dizendo-nos que também somos Suas criaturas e que fazemos parte desse Universo maravilhoso, e que, acima de tudo, somos herdeiros desse mesmo Universo, como filhos do Criador que somos todos nós. (…) Justa é a nossa admiração por tudo o que vive na superfície da Terra.”

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É psicólogo, educador, militante pelos direitos humanos e um dos idealizadores do movimento de espíritas pelos direitos humanos.

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