Economia
Os favoritos do governo e da oposição para a relatoria da 6×1 no Senado (e o que Alcolumbre pode tirar disso)
Omar Aziz e Efraim Filho aparecem como os principais cotados, enquanto o presidente do Senado tenta equilibrar a pressão do Planalto, as eleições e seus próprios interesses
A definição do relator da PEC que acaba com a escala 6×1 será um dos principais testes da reaproximação entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O governo trabalha para colocar um aliado na condução da proposta, enquanto a oposição tenta emplacar o senador Efraim Filho (PL-PB). Entre os nomes do Planalto, Omar Aziz (PSD-AM) é hoje uma das principais alternativas.
A escolha ganhou peso porque a PEC já foi aprovada pela Câmara e o governo quer evitar que o Senado faça alterações substanciais no texto. Uma mudança obrigaria a proposta a retornar aos deputados, ampliando o tempo de tramitação. A estratégia do Planalto, portanto, é ter na Comissão de Constituição e Justiça um relator capaz de conduzir o texto sem criar uma nova rodada de negociações que inviabilize a votação antes das eleições.
Omar Aziz se encaixa nesse desenho por integrar a base governista e por ser um nome do Centrão.
A oposição, por sua vez, defende Efraim Filho. A preferência por um nome do PL daria aos adversários do governo maior capacidade de influenciar o parecer e o ritmo da discussão. A resistência oposicionista à votação antes das eleições já foi explicitada. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) defendem que o debate sobre a jornada de trabalho fique para depois do pleito.
O que Alcolumbre tem a ver com isso
O presidente do Senado não precisa apenas decidir entre acelerar ou retardar a PEC. Ele pode influenciar o grau de controle que o governo terá sobre uma das principais bandeiras eleitorais de Lula, sem necessariamente assumir para si o protagonismo da aprovação.
A relação com Lula mudou nas últimas semanas. Os dois ficaram cerca de três meses afastados depois da rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A reaproximação começou com um jantar organizado pelo ministro Alexandre de Moraes e avançou para três encontros entre Lula e Alcolumbre. Depois deles, o presidente do Senado determinou o encaminhamento da PEC da 6×1, além da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos – três pautas de interesse do Planalto.
O movimento tem uma dimensão que ultrapassa a 6×1. Alcolumbre busca consolidar seu espaço para a eleição da presidência do Senado em 2027. A aproximação com Lula envolve justamente a possibilidade de o petista apoiar sua permanência no comando da Casa caso seja reeleito.
Esse controle é relevante porque o calendário é apertado. O Congresso terá uma janela de esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro, antes da eleição. A aprovação de uma PEC exige dois turnos e o apoio de dois terços dos senadores em cada votação.
Alcolumbre, portanto, pode entregar ao governo o avanço que Lula deseja sem necessariamente assumir o compromisso de uma votação imediata. Foi o que fez ao encaminhar a PEC para a CCJ. Em agosto, ele havia evitado cravar uma data para o plenário e afirmou que ainda ouviria os senadores. Depois, interlocutores passaram a considerar possível uma votação entre o primeiro e o segundo turno, na semana de 5 de outubro.
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