Política
Lula e Alcolumbre reabrem diálogo, mas pautas-chave do governo devem ficar para depois da eleição
Um encontro mediado por ministros do STF encerrou um período de mais de três meses de rompimento – sem avanços, contudo, sobre interesses prioritários para o governo
Depois de mais de três meses em silêncio, o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reabriram o canal de negociação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso na noite de terça-feira 4, durante um jantar na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, com a participação do ministro Cristiano Zanin. Não houve acordos concretos, mas ambos se comprometeram a retomar, após as eleições de outubro, as discussões sobre as principais pautas do governo.
O principal efeito do encontro foi político. Após meses de distanciamento provocados pela rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao STF, Lula e Alcolumbre decidiram reduzir a tensão e reconstruir a interlocução. Nos bastidores, a avaliação compartilhada por aliados dos dois lados é que o jantar serviu para encerrar o período de rompimento e criar condições para novas negociações entre Executivo e Senado.
A consequência mais imediata, porém, foi o adiamento das pautas consideradas prioritárias pelo governo. Durante a conversa, Lula voltou a defender a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, já aprovada pela Câmara, mas ouviu de Alcolumbre que o tema enfrenta resistência entre empresários e só deverá avançar depois do pleito. A avaliação predominante foi a de que o ambiente eleitoral não favorece a votação de uma medida com grande impacto econômico e político.
O mesmo vale para outras matérias de interesse do Planalto que aguardam deliberação no Senado, como a PEC da Segurança Pública. Apesar da reaproximação, interlocutores do governo afirmam que os acertos políticos e a definição sobre o calendário dessas propostas ficarão para o período pós-eleitoral.
Outro resultado do encontro foi retirar da agenda imediata a disputa pela vaga no STF aberta após a rejeição de Jorge Messias. Embora Lula mantenha a intenção de voltar a indicar o atual advogado-geral da União, o tema não foi tratado durante o jantar e deverá permanecer congelado até o fim das eleições.
A reunião ocorreu após semanas de articulação de integrantes do governo para convencer Lula a retomar o diálogo com Alcolumbre. Desde a derrota de Messias no Senado, no fim de abril, o presidente evitava conversas com o comandante da Casa, o que acabou travando a interlocução em um momento em que o Planalto depende do Congresso para aprovar propostas consideradas estratégicas para a campanha à reeleição. O jantar, portanto, não destravou votações, mas restabeleceu o principal instrumento para que elas possam voltar a ser negociadas nos próximos meses.
Um novo encontro entre Lula e Alcolumbre deve acontecer nas próximas semanas.
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