Sustentabilidade

Na Amazônia, desmatamento e pobreza estão intimamente relacionados

Um estudo do Imazon aponta que os municípios da região que mais desmatam possuem também os piores índices de qualidade de vida

Desmatamento da Amazônia brasileira. Foto: Marizilda Cruppe/Amazon Watch/Amazônia Real
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Ao contrário do que afirmou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na COP26 no mês passado, o desmatamento está associado com piores condições de vida da população. É o que afirma o levantamento do Imazon, que analisou Índice de Progresso Social (IPS) das 772 cidades da Amazônia Legal. 

Em seu discurso na Cúpula do Clima, Leite afirmou que “onde há floresta há pobreza” — sem apresentar fato que comprovasse a declaração. O estudo do Imazon, por outro lado, mostra que quanto maior o indicador de desmatamento, menores são os indicadores de setores como saúde, saneamento, moradia, segurança, educação, comunicação, equidade de gênero e qualidade do meio ambiente.

Se a Amazônia fosse um país, estaria no mesmo patamar de qualidade de vida que nações como o Camboja e a Nigéria.

O IPS médio do Brasil, aponta o estudo, está em 63,29, enquanto os 20 municípios que mais destruíram a floresta nos últimos três anos na região amazônica apresentam um IPS médio de 52,38. É um índice 21% menor que a média nacional.

Se a Amazônia fosse um país, estaria no mesmo patamar de qualidade de vida que nações como o Camboja e a Nigéria.

O índice, criado em 2003, analisa as condições ambientais e sociais dos países, gerando uma nota de zero a 100. “O IPS atesta mais uma vez que o desmatamento só tem gerado pobreza, conflitos sociais e inibido o desenvolvimento econômico da Amazônia”, afirma Beto Veríssimo, co-fundador do Imazon e um dos líderes do estudo.

Além da derrubada da floresta, aponta o estudo, o garimpo ilegal, a extração ilegal de madeira e os conflitos sociais também prejudicam o desenvolvimento social.  A combinação desses fenômenos fez com que, dos 772 municípios amazônicos avaliados, quase a metade (49%) tivesse redução no índice de progresso sociais se comparados com os números de 2018. Outros 21% permaneceram estáveis.

Entre os municípios em situação mais crítica está Pacajá, no Pará, que teve um IPS de 44,34.  Pacajá ocupa na sétima posição do ranking dos que mais devastaram a floresta. No entorno da cidade, mais de 690km² foram desmatados entre 2018 e 2020, conforme o Inep.

O estudo também destaca negativamente outros dois municípios paraenses: Altamira e São Félix do Xingu. Altamira, que ocupou o primeiro lugar no desmatamento no período de três anos, teve IPS de 53,95. Já São Félix, o segundo que mais desmatou a Amazônia nos últimos dois anos, emite mais gás carbônico que a cidade de São Paulo. 

Em 2020, a região Amazônica foi responsável por 52% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Em termos de rendimento financeiro, contudo, a região representou apenas 9% do PIB nacional.

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