Sociedade

O que são as minas de sal-gema, que recolocam Maceió sob risco de afundamento

Hoje liderada pela Braskem, a exploração ocorre na cidade desde os anos 70. Há 35 minas ativas no subsolo da cidade

Vista aérea do bairro Mutange, em Maceió. Foto: Reprodução/BRASKEM
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A cidade de Maceió (AL) está sob alerta máximo por conta do risco iminente de colapso de uma mina da petroquímica Braskem, localizada no bairro do Mutange.

Segundo a Defesa Civil Estadual, o desabamento “é apenas uma questão de tempo.” Especialistas alertam para a formação de uma cratera de 152 metros de raio, afetando inclusive a Lagoa Mundaú, uma das mais principais da região, causando danos ambientais severos.

Na quinta-feira 30, um aviso foi emitido sobre a possibilidade de colapso às 6h da manhã desta sexta-feira 1, o que ainda não ocorreu. Na tarde desta o governo federal reconheceu o estado de emergência.

O que é sal-gema?

A mina em questão é de sal-gema, um cloreto de sódio acompanhado de outras substâncias e utilizado para produzir soda cáustica e policloreto de vinila.

As minas de sal-gema são exploradas da seguinte maneira: cava-se um poço, e injeta-se água na camada de sal, formando uma salmoura que é extraída das minas para a superfície. Depois, esses poços são preenchidos com água para estabilizar o solo. Com o passar dos anos, porém, esses líquidos vazaram, provocando buracos e, consequente, instabilidade ao solo, que levou ao afundamento.

Em 2018, um tremor de terra causou o afundamento do solo em cinco bairros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e em uma parte do Farol. Cerca de 60 mil moradores deixaram a área na época e mais de 200 mil foram afetados pelo desastre. A Braskem, responsável pelo problema, passou a indenizar os moradores.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a exploração de sal-gema, feita de forma inadequada, desestabilizou as cavernas subterrâneas que já existiam na região, causando o afundamento do solo e, consequentemente, as rachaduras que afetaram os bairros.

Braskem encerrou a extração do sal-gema, mas mantém minas

Em 2019, após ser responsabilizada pelo caso, a Braskem encerrou a extração do sal-gema em suas 35 minas localizadas na área urbana da cidade. Na época do encerramento, a empresa apresentou medidas como uma área de resguardo, com a realocação de pessoas e a desocupação de mais de 14 mil imóveis. A população passou a ser atendida pelo Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação, que oferece uma quantia como compensação pela desapropriação.

A Braskem anunciou a vedação de minas com  técnicas como preenchimento com areia e tamponamento com pasta de cimento, além manter monitoramento técnico contínuo. A conclusão dos trabalhos está prevista para o período entre o final de 2024 e o início de 2025.

A empresa também destacou que as obras são supervisionadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e outros órgãos reguladores competentes.

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