Sociedade

Araraquara lança aplicativo municipal de ‘caronas’ e cadastra sete mil clientes

Cobrando taxas de apenas 5%, o Bibi Mob tem desafiado a hegemonia dos grandes apps de transporte na cidade

Desde o início da operação, o número de motoristas locais associados foi de 80 para mais de 200 (Foto: Divulgação)
Desde o início da operação, o número de motoristas locais associados foi de 80 para mais de 200 (Foto: Divulgação)
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Com o preço da gasolina em alta – foram 11 aumentos desde janeiro de 2021, chegando a 7 reais em alguns postos e a retenção de até 40% das corridas pelas empresas, motoristas começaram a abandonar os aplicativos de carona. Só em São Paulo, houve uma queda de 25% nos motoristas vinculados a empresas em 2021, segundo a Associação de Motoristas de Aplicativos. O resultado: usuários e profissionais prejudicados.

Foi com base nessa realidade que a Cooperativa de Transporte de Araraquara (Coommapa), com apoio da prefeitura do município, lançou o aplicativo Bibi Mob, em funcionamento desde o início de janeiro. A plataforma já conta com 7 mil usuários cadastrados e, desde o início da operação, o número de motoristas locais associados ir de 80 para mais de 200.

“Os aplicativos que faço parte retém de 30% a 40% de cada corrida que eu faço. Isso sem contar o preço da gasolina que faz a gente ter q esperar o preço dinâmico para fazer as corridas e tentar alguma renda. Agora com esse aplicativo ele só retém 5%, os outros 95% ficam comigo”, conta o motorista Cléber Quintal Barbosa, de 41 anos.

Cléber, que desde 2018 trabalha no ramo e desde janeiro é associado do Bibi Mob, faz as contas: “Se a corrida é de 10 reais, no Bibi eu fico com 9,50. Nos outros eu fico com 6,10. E o povo está gostando muito. Tem muita gente que sai do meu carro dizendo que vai convidar a mãe ou o amigo pra se cadastrar também”.

De acordo com a presidente da Coommapa, Kátia Cristina Anello, por ser uma cooperativa e não ter fins lucrativos, os 5% retidos são usados apenas para manutenção da plataforma, ajustes e melhorias no aplicativo. Kátia, que também é motorista, conta que já chegou a ter 51% de uma corrida retida no período de festas de fim de ano. “A politica econômica não tem reajuste. São empresas de outros países que não vivem a mesma realidade econômica do brasileiro”.

Uma sede para os motoristas está sendo providenciada pela prefeitura de Araraquara assim como assessoria técnica, suporte na comunicação e divulgação e capacitação. “O prefeito Edinho (PT) percebeu no início da pandemia o problema dos motoristas e entregadores e propôs que a gente pudesse ter uma política pública para auxiliá-los por meio do cooperativismo. Pensar em aplicativos municipais que dessem conta de dar melhores condições de rendimento e de trabalho pra esses motoristas”, explica a coordenadora de Trabalho e Economia Criativa e Solidária, Camila Capacle. As ações são feitas por meio do Programa Coopera Araraquara de Incentivo e Apoio ao Cooperativismo de Trabalho e a IPECS – Incubadora Pública de Economia Criativa e Solidária

A questão da segurança também foi considerada primordial pela cooperativa, uma vez que os casos de ameaças, sequestros relâmpagos e homicídios de motoristas têm sido recorrentes. Para isso, além dos profissionais, os usuários também se cadastram. “É muito rápido, mas nosso diferencial está na selfie. Pois o motorista sente mais segurança sabendo quem tem que embarcar”, explica. A cooperativa tem ainda diversas parcerias, com descontos em serviços que o motorista utiliza no dia a dia, como consertos de pneus, autocenter, lava-rápido e guincho e está disponível gratuitamente na Play Store e IOS.

Próximo passo: aplicativo municipal de entrega de comida

De acordo com Capacle, a Cooperativa Morada Express que é de moto entregadores está organizando um aplicativo próprio por meio do incentivo da prefeitura dentro dos mesmos programas públicos que apoiam o Bibi Mob. De acordo com ela, outras oito iniciativas de economia solidária também estão em andamento, como com cooperativas de catadores, egressos do sistema prisional, cultura e arte, combate à fome e agricultura familiar.

Ana Flávia Gussen
Repórter da revista CartaCapital

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