16 filmes essenciais para entender o que foi a ditadura no Brasil

Histórias de dor, superação e muita luta. Uma lista para ver e não esquecer

A ditadura não foi branda (Foto: Flickr)

A ditadura não foi branda (Foto: Flickr)

Sociedade

31  de março de 1964, a data que iniciou no Brasil uma época em que os militares ficaram no poder, de forma ditatorial, durante 21 anos. O período é conhecido por historiadores como a “era do chumbo”.

Com a eleição de Jair Bolsonaro, há uma tentativa de desqualificar o golpe de 64, recriando ficcionalmente a história e transformando o período em revolução para salvar o país do comunismo.

Bolsonaro chegou a dar uma entrevista dizendo que não tivemos uma ditadura, apenas um período com alguns “probleminhas”.

Para não esquecermos o que significou esse período, para lembrarmos os mais de 400 mortos, listamos 16 filmes essenciais para se entender o período.

Tropicália 

Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações.

Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado pelas mais belas canções do período, Tropicália mostra um panorama definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil.

Batismo de Sangue 

Baseado em fatos reais, o filme conta a participação de frades dominicanos na luta clandestina contra a ditadura militar, no final dos anos 60. Movidos por ideais cristãos, eles decidem apoiar a luta armada. O roteiro é uma adaptação do livro de Frei Betto, vencedor do prêmio Jabuti.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

A historia se passa em 1970. Mauro é um garoto mineiro de 12 anos que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda, deixando-o com o avô paterno.

Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.

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Verdade 12.528

Como manter viva a memória dos que tombaram durante a ditadura? De que maneira contornar os impedimentos legais trazidos pela Lei da Anistia, promulgada há trinta anos, e prosseguir com os trabalhos de resgate e reconstrução deste período? De que modo juntar os fatos dispersos para montar o quebra-cabeças e recuperar a imagem de uma das fases mais escuras da história do nosso País? 

O documentário retrata a história das pessoas que foram mortas na ditadura e não foram enterradas.

Lamarca 

Crônica dos últimos anos na vida do capitão do exército Carlos Lamarca (Paulo Betti) que, nos anos da ditadura, desertou das forças armadas e passou a fazer oposição, tornando-se um dos mais destacados líderes da luta armada.

O Dia Que Durou 21 Anos 

Documentário sobre a participação do governo dos Estados Unidos na preparação, desde 1962, do golpe de 31 de março de 1964.

Magnífica 70 

O ano é 1973. Vicente é um censor do Departamento de Censura Federal do Estado de São Paulo. Ele vive um casamento monótono com Isabel, filha do General Souto. Durante a avaliação de uma pornochanchada, ele acaba vetando o filme, mas se encanta pela atriz Dora Dumar, estrela do filme. Fascinado pela garota, que lembra uma falecida cunhada, ele mergulha no universo da Boca do Lixo, onde começa a trabalhar com Dora e Manolo, com quem passa a formar um triângulo amoroso.

A atmosfera da época, com a repressão imposta pela ditadura militar, é o principal mote da trama.

Manhã Cinzenta

Baseado em conto homônimo de Olney São Paulo, o filme é uma alegoria de regimes autoritários, e é ambientado em um país fictício da América Latina. Retrata um casal de estudantes que segue para uma passeata onde o rapaz, um militante, lidera um comício. Eles são presos, torturados na prisão e sofrem um inquérito absurdo dirigido por um robô e um cérebro eletrônico.

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Pra Frente, Brasil

Em 1970, na época dos anos de chumbo e do dito milagre econômico, o Brasil vibra com a seleção brasileira. Enquanto isso, combatentes da oposição são torturados.

O que é isso, companheiro?

O enredo conta, com diversas licenças ficcionais, a história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que lutavam contra o regime militar instaurado no país em 1964.

Tempo de Resistência

Documentário sobre a resistência à ditadura militar, a partir do movimento estudantil. Baseado no livro de Leopoldo Paulino.

Hoje 

Ex-militante política recebe indenização do governo brasileiro pelo desaparecimento do marido, vítima da repressão desencadeada pela ditadura militar. Com o dinheiro, ela pôde comprar o tão sonhado apartamento próprio. No momento da mudança para o novo lar, seu marido volta.

Em Busca da Verdade

Documentário vencedor do Prêmio Vladimir Herzog apresenta as principais investigações da Comissão Nacional e das Comissões Estaduais da Verdade sobre as graves violações de direitos humanos ocorridas na ditadura de 1964.

Em busca de Iara

Documentário sobre Iara Iavelberg, uma mulher culta e bela que entrou para a luta armada contra a ditadura e foi companheira do ex-capitão Carlos Lamarca. O filme desmonta a versão oficial do regime que atribui sua morte, em 1971, ao suicídio.

Deslembro

O Rio de Janeiro não é nada familiar para Joana, adolescente que teve o pai refém como prisioneiro político durante os anos de ditadura no Brasil. Ela passou quase toda a sua vida em Paris, cidade onde o resto de sua família se exilou. Tendo sido decretada a Lei da Anistia, a menina agora está, a contragosto, de volta à sua cidade natal. As memórias amargas de tempos difíceis vêm à tona, causando um forte desconforto.

Diário de Uma Busca

Outubro, 1984. Celso Castro, jornalista com uma longa história de militância de esquerda é encontrado morto no apartamento de um ex-oficial nazista. A polícia sustenta que se trata de um suicídio. O episódio, digno de um filme de suspense, é o ponto de partida de Flavia, filha de Celso e diretora do filme que decide reconstruir a história da vida e da morte do homem singular que foi o seu pai. É uma viagem no tempo e na geografia: a diretora volta a Porto Alegre, Santiago, Buenos Aires, Caracas e Paris, cenários do exílio familiar, da ilusão e do fracasso de um projeto político.

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Repórter do site de CartaCapital

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