Política

Sem maiores restrições, próximo feriado pode fazer explodir mortes por Covid

Agências de viagens oferecem pacotes para destinos que beiram o colapso no sistema de saúde; ‘tragédia vai continuar’, diz epidemiologista

Praia do Leme (RJ) lotada. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Praia do Leme (RJ) lotada. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O recorde no número de mortes por Covid-19 no Brasil não impediu que agências de viagens ofereçam pacotes para o próximo feriado nacional, o da Sexta-feira Santa, no dia 2 de abril. As buscas na internet por promoções levam a páginas que anunciam ofertas para a Páscoa, comemorada no dia 4 do próximo mês.

No site da CVC , por exemplo, aparecem opções para o Rio de Janeiro (RJ), Serra Gaúcha (RS) e Florianópolis (SC).  A consulta foi feita na quarta-feira 10, dia em que o País registrou, em 24 horas, 2.286 óbitos e novas infecções 79.876 infecções, de acordo com levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Na quinta-feira 11, foram 2.233 mortes.

O turista que optar pela capital fluminense encontrará uma cidade com a taxa de ocupação das unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para Covid-19 na rede pública em 90%. Os números são de segunda-feira 8.

A preocupação com os efeitos da pandemia fez a prefeitura decretar medidas restritivas mais rígidas na última semana. Durante o anúncio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) reforçou que o município pretende evitar um agravamento da situação semelhante ao que ocorre em outras regiões do País.

Paes confirmou a interrupção na aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19 em idosos de 75 anos, prevista para esta sexta-feira 12.

“Infelizmente teremos q suspender a vacinação prevista p amanhã e sábado para as pessoas de 75 anos. Tivemos uma procura acima da expectativa e não temos garantia de q as doses que já dispomos sejam suficientes. IMPORTANTE: Continuaremos aplicando a segunda dose normalmente”, escreveu nas redes sociais.

No estado, a situação é considerada grave. O secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves, afirmou que chegou a pensar em barrar a entrada de turistas a fim de conter o coronavírus.

“Eu vejo as praias cheias de turistas. É hora de turismo aqui? É hora de samba na praia? Eu acho que não. Estamos conversando com a Vigilância Epidemiológica sobre isso. Tem vários posicionamentos a serem colocados – uns mais drásticos, outros mais leves”, disse o secretário na quarta.

“É um ponto a ser discutido do ponto de vista técnico. Estamos analisando. Decisões podem ser tomadas na sexta-feira [12] a partir dos dados epidemiológicos. Temos que ver como está a evolução, os gráficos diários.”

No entanto, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) descartou a medida e disse que “não afirmou que havia previsão de restrição à entrada de turistas no Rio de Janeiro”.

Foto: Reprodução CVC

Reprodução CVC

No Rio Grande do Sul, no dia 6 de março, 100% das unidades de terapia intensiva estavam ocupadas. Nos últimos dias, o estado registrou mil mortes por Covid-19.

O cenário fez com que o Supremo Tribunal Federal acatasse o requerimento da Procuradoria-Geral do Estado e determinasse que o governo federal retome imediatamente o custeio dos leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19.

Em Santa Catarina, por falta de leitos, pacientes foram transferidos para outros estados, como o Espírito Santo. Na noite de quarta, o governo estadual publicou o decreto 1.200/2021, com normas para tentar conter os contágios. O texto inclui a prorrogação da proibição do funcionamento de serviços não essenciais no fim de semana. As pessoas também não podem circular e ficar em parques, praças e praias no fim de semana.

O decreto começa a valer a partir de sexta-feira 12 e vai até o dia 19. Ficou proibida a aglomeração de pessoas em qualquer ambiente. Veja o documento na íntegra.

A alta taxa de ocupação de leitos, o colapso em alguns estados e a elevação no número de mortes e casos são reflexos das festas de fim de ano, dos feriados e até das eleições de 2020. A avaliação é do epidemiologista e professor de Medicina da USP Paulo Lotufo.

“O que precisamos é fechar vários locais e tomar umas atitudes futuras. Estamos a 15 dias da Semana Santa e está cheio de pacotes de viagens à venda. Do jeito que está, a tragédia vai continuar”, diz o epidemiologista.

Para ele, o Brasil se saiu bem durante alguns meses de 2020. “Apesar de [Jair] Bolsonaro, nós estávamos até o final de outubro reduzindo o número de casos e óbitos. Quando chega novembro, com o impacto dos feriados e das eleições, os números aumentam. Em dezembro, com o Natal, e, consequentemente com o Ano Novo, a situação piorou ainda mais”, ressalta Lotufo.

Na página da CVC não há nenhuma informação sobre as condições sanitárias dos municípios.

A situação se repete no site da Submarino Viagens. Na aba ‘Viaje nos feriados de abril’ aparecem promoções sem nenhum acréscimo sobre a doença que vitimou mais de 270 mil brasileiros.

Foto: Reprodução

A agência Decolar conta com pacotes intitulados ‘Escapadas para o feriadão’. Entre os destinos sugeridos estão cidades do litoral paulista e do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o governo do estado reconheceu a “franca aceleração da pandemia”. Na terça-feira 9, pelo menos 19 hospitais do estado atingiram a sua capacidade máxima de ocupação. Outros seis se encontravam com lotação acima de 95%.

De acordo com o governo, o estado tem taxa de ocupação de 82% e a Grande São Paulo de 82,8%. Há 8972 pacientes internados em UTIs, e 11.342 em enfermarias.

Na quinta, o governador João Doria (PSDB) anunciou um conjunto de medidas mais restritivas para conter o avanço da Covid-19. Todo o estado entra, a partir da segunda-feira 15, na chamada ‘fase emergencial’ do plano de enfrentamento à doença, com duração mínima de 15 dias, ou seja, até 30 de março, antes do próximo feriado.

A ‘fase emergencial’ aumenta as medidas restritivas em 14 atividades. Além disso, estão proibidos serviços de retirada (take-away) de todos os setores; o funcionamento de lojas de materiais de construção; celebrações religiosas coletivas; e atividades esportivas coletivas. Haverá, ainda, um toque de recolher entre 20h e 5h e a proibição do uso de praias e parques.

Foto: Reprodução

Em resposta, a CVC e a Submarino Viagens disseram que “vêm orientando seus clientes em relação às viagens, seguindo os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades de cada localidade”.

“Ambas as empresas também mantém monitoramento diário a respeito da Covid-19 e seus diferentes estágios nos destinos nacionais e internacionais, fazendo a gestão da operação para clientes com viagens futuras, atuando nas remarcações e remanejamentos, bem como seguem atuando junto a hotéis, cias aéreas, receptivos e toda a cadeia turística, que desde o início da pandemia adotam todos os protocolos necessários para garantir a segurança dos nossos clientes, procedimentos adotados inclusive nas lojas franqueadas”, diz a nota das empresas.

Lockdown

Especialistas consultados por CartaCapital alertam para a necessidade de um lockdown nacional para conter a disseminação do coronavírus. Os efeitos da medida, no entanto, só seriam sentidos cerca de um mês depois do decreto.

“Teríamos que ter um lockdown em um período mínimo de 21 dias para podermos impedir a circulação das pessoas que já estão contaminadas, pois hoje nós temos pessoas que se contaminaram muito recentemente e ainda não desenvolveram os sintomas da doença”, explica a epidemiologia Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

“O Brasil investiu em uma estratégia equivocada. Abriu leitos e hospitais de campanha, mas não impediu as pessoas de se infectarem. Nós não fizemos prevenção no Brasil nesta pandemia”, reforça.

Sobre os benefícios da medida, o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede de Análise Covid-19 que vive em Caxias do Sul (RS), comparou o cenário brasileiro com o do Reino Unido.

“Baseado no que vimos na Europa, os lockdowns que melhor funcionaram foram os que duraram em torno de 30 a 35 dias”, aponta Schrarstzhaupt, que completa: “Quando o governo toma essa iniciativa, normalmente, é quando a situação já está fora de controle. Por isso, em muitos casos, a medida leva, em média, 60 dias.”

Além da vacinação, o lockdown é considerado fundamental para o Brasil neste momento. “Principalmente as viagens interestaduais”, ressalta Lotufo.

Com a palavra, a CVC e a Submarino Viagens

Desde o início da pandemia, a CVC e a Submarino Viagens vêm orientando seus clientes em relação às viagens, seguindo os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades de cada localidade. Ambas as empresas também mantém monitoramento diário a respeito da COVID-19 e seus diferentes estágios nos destinos nacionais e internacionais, fazendo a gestão da operação para clientes com viagens futuras, atuando nas remarcações e remanejamentos, bem como seguem atuando junto a hotéis, cias aéreas, receptivos e toda a cadeia turística, que desde o início da pandemia adotam todos os protocolos necessários para garantir a segurança dos nossos clientes, procedimentos adotados inclusive nas lojas franqueadas.

Essas orientações constam em banner em destaque no site da CVC (https://bit.ly/3bC4rgs) que reúne informações e instruções atualizadas permanentemente, e são reforçadas também nos pontos de atendimento. Os mesmos procedimentos são seguidos pela Submarino Viagens, cujas orientações aos clientes constam em banner em destaque no site da Submarino Viagens (https://bit.ly/3vjoVTg), com informações e instruções atualizadas permanentemente.

Caso a viagem tenha que ser cancelada ou o cliente não se sinta à vontade para viajar na data estabelecida e precise remarcar, ambas as marcas auxiliam no replanejamento da viagem ou concessão de crédito para remarcação futura.  No caso da CVC, isso pode ser feito por meio das lojas franqueadas (em destinos onde não podem abrir o espaço físico, o atendimento acontece normalmente de forma remota), pela Central de Atendimento no canal pós-venda (no caso de compras online) ou neste próprio link que citamos acima: https://bit.ly/3qKBX8Q. Os clientes da Submarino Viagens também contam com auxílio no replanejamento da viagem ou concessão de crédito para remarcação futura. Isso pode ser feito por meio da Central de Atendimento Submarino Viagens no canal pós-venda ou neste próprio link que citamos acima: https://bit.ly/3tclmw0.  

A CVC e a Submarino Viagens permanecem ao lado de seus clientes e reforçam sempre a prioridade pela segurança, bem como informam que acompanham as determinações de cada localidade e podem suspender temporiamente a operação de alguns roteiros de viagens, respeitando todas as regulações vigentes e para maior conforto do cliente.

Com a palavra a Decolar

“A Decolar defende a retomada do Turismo de forma responsável. Por isso, a companhia  disponibiliza em suas plataformas de vendas (site e aplicativo) informações detalhadas sobre os protocolos sanitários adotados por seus fornecedores (companhias aéreas, hotéis, locadoras de veículos) e sobre as restrições de entrada em cada país.  Além disso, a Decolar trabalha com  tarifas flexíveis, caso o cliente precise fazer alguma alteração na viagem”. 

Alisson Matos

Alisson Matos Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

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