Saúde

‘Se o governo não comprar seringas, teremos 5.570 processos de compra’

Para consultor em Saúde da Confederação Nacional de Municípios, suspensão pode aumentar preços e complicar o calendário vacinal

 Foto: Graeme Robertson/AFP
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A notícia de que o Ministério da Saúde suspendeu a compra de seringas, divulgada nesta quarta-feira 6 pelo presidente Jair Bolsonaro, pode aumentar preços do insumo e complicar ainda mais a vacinação contra a Covid-19 nos municípios. A avaliação é de Denilson Ferreira de Magalhães, consultor em Saúde da Confederação Nacional de Municípios.

De acordo com o presidente, a aquisição do material foi suspensa “até que os preços voltem à normalidade”. Também acrescentou, sem apresentar evidências, que estados e municípios possuem estoque suficiente para o início das vacinações.

O ideal, pontua Magalhães a CartaCapital, é que as seringas fossem adquiridas e repassadas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios. “É preciso saber quem tem e quem não tem seringa para fazer distribuição. Por isso, precisamos que o PNI, dentro do Ministério da Saúde, coordene esse processo. Os estados e o município que tiverem ou não seringas poderão comunicar o ministério”. De preferência, a distribuição deve ser feita junto com as vacinas. “A logística é a mesma da vacina. Seria muito mais fácil para todo mundo”.

“Se o governo não for adquirir as seringas, precisa repassar os recursos aos municípios para adquirí-las”, completa. “E é um processo certamente mais complicado. Teremos 5.570 processos de compra.”

Embora os municípios venham se preparando para as etapas da imunização, pontua, a falta de insumos pode prejudicar inclusive o calendário regular de vacinação, já que o Plano Nacional de Imunização contra o coronavírus não está inserido no plano regular de imunização. “Nós não podemos prejudicar nosso cronograma em detrimento à vacinação de coronavírus. Podemos priorizar, mas não prejudicar.”

De acordo com o plano de imunização feito pelo próprio Ministério, serão necessárias mais de 31 milhões de doses para concluir a 1ª fase de vacinação. Fabricantes brasileiras de seringas prometem entregar 30 milhões de unidades do produto até o fim de janeiro – e não foram comunicadas de suspensão de compra.

Terão prioridade trabalhadores da saúde, idosos maiores de 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em asilos e instituições psiquiátricas e a população indígena. Ao todo, as quatro fases iniciais e prioritários da campanha somam 109,5 milhões de doses.

No comunicado, Bolsonaro afirmou ainda que a Pfizer teria vendido “apenas 10 mil doses” para alguns países. Os números globais da vacinação (com diferentes imunizantes) mostra uma realidade diferente. Segundo levantamento da Bloomberg, foram administradas até agora mais de 15 milhões de doses em quase 50 países. Só os Estados Unidos, que utiliza vacinas da Pfizer e Moderna, já aplicou 5 milhões de doses.

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira Editora-executiva do site de CartaCapital

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