Governo admite não ter estudo para defender fim de quarentena

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Ministério da Economia apresenta slide em vez de relatório técnico e diz que não tem cronograma

O presidente Jair Bolsonaro, em coletiva com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro, em coletiva com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Foto: Marcos Corrêa/PR

Política,Saúde

O governo do presidente Jair Bolsonaro admitiu a autoridades estaduais que não tem estudos que baseiem a defesa pelo fim da quarentena e pela adoção somente do isolamento vertical para combater o coronavírus. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

O Palácio do Planalto tem defendido que os governadores desistam do “confinamento em massa” e aplique o isolamento vertical, destinado apenas para quem faz parte do grupo de risco, composto principalmente por idosos.  Na TV, Bolsonaro criticou os efeitos econômicos dos decretos e disse que os jovens devem voltar a trabalhar.

Confrontado pelo tema em reunião com membros dos poderes estaduais, o secretário especial de Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse que o isolamento vertical é “um princípio” do governo federal ao qual os governadores deveriam se submeter.

No entanto, em vez de apresentar uma minuta técnica, Costa exibiu um slide com o que o governo enxerga como necessário para o isolamento parcial na área econômica, segundo a Folha de S. Paulo. Costa declarou que é preciso manter abertos os serviços essenciais e garantir a cadeia de suprimentos. Esta já é a conduta adotada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

De acordo com o veículo, Costa também foi questionado se o governo obrigaria os estados, por meio de decreto, a cumprir a medida. Segundo ele, a escolha deveria ser voluntária, mas, perguntado se haveria recursos federais para estados interessados, a resposta foi “não temos o cronograma”.

Nesta sexta-feira 27, o Ministério da Saúde informou que o Brasil já contabiliza 92 mortes e 3.417 casos confirmados do novo coronavírus. São mais 15 óbitos e 502 casos em relação ao dia anterior, quando a pasta relatou 77 falecimentos 2.915 pacientes.

Apesar do crescimento do número de casos e de mortes no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro insiste em defender que os brasileiros desistam do isolamento e voltem a trabalhar. Nesta semana, o Palácio do Planalto fez circular, nas redes sociais, um vídeo em que incentiva o retorno à normalidade. Na quinta-feira 26, o presidente ironizou as infecções e disse que “brasileiro pula no esgoto e não pega nada”.

A postura de Bolsonaro tem sido duramente criticada por outras autoridades. Em coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), questionou o presidente da República e criticou a propaganda veiculada pelo Planalto. Já o governador do Rio de Janeiro (PSC), Wilson Witzel (PSC), afirmou estar perplexo com o ministro Luiz Henrique Mandetta, por mudar seu discurso com o objetivo de agradar Bolsonaro, e anunciou rompimento com o Ministério da Saúde.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem