Witzel se diz “perplexo” com Mandetta e rompe com Ministério da Saúde

Governador do Rio de Janeiro declara que, a partir de agora, seguirá apenas as recomendações da OMS e de seu secretário de Saúde

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Créditos: EBC

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Créditos: EBC

Política,Saúde

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que está “perplexo” com a postura adotada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, após o polêmico pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional sobre o novo coronavírus.

Na quarta-feira 25, Mandetta disse que as quarentenas decretadas pelos governadores são precipitadas. Além disso, afirmou que vê “grande colaboração” na preocupação de Bolsonaro com os efeitos econômicos das medidas de restrição de circulação.

Em sua conta no Twitter, Witzel acusou Mandetta de assumir “tom político” ao se alinhar a Bolsonaro, que chamou a covid-19 de “gripezinha” em cadeia nacional. O governador disse que o ministro da Saúde voltou atrás nas próprias orientações.

“Hoje eu acordei perplexo com as declarações do ministro Mandetta sobre as medidas que tomamos para conter o coronavírus. Diz que as medidas foram exageradas, contrariando suas próprias declarações anteriores”, escreveu Witzel, nesta quinta-feira 26.

O governador do Rio de Janeiro anunciou, ainda, que não seguirá mais as recomendações do Ministério da Saúde.

“Para tomar as medidas severas que tomamos para conter o coronavírus, seguimos orientação da OMS [Organização Mundial da Saúde], de Mandetta e do nosso secretário de Saúde, Edmar Santos. Ao mudar suas orientações, entrando na economia e se alinhando com as declarações do presidente Bolsonaro, Mandetta dá um tom político, que não cabe nesse momento. Sigo agora o nosso secretário de Saúde e as orientações da OMS”, publicou.

O Rio de Janeiro contabiliza 9 mortes e 421 casos de coronavírus. É o segundo estado com mais registros de pacientes da doença. No Brasil, são 78 mortes e 2.915 casos.

Diante da fácil proliferação do vírus, governadores como Witzel e João Doria (PSDB) lançaram decretos com limitações de locomoção e fechamentos de serviços. Após o anúncio, Bolsonaro chamou as medidas de “remédio em excesso”.

Em mais de uma oportunidade, Mandetta também reivindicou que os decretos de quarentena não fossem descentralizados, mas sim, fizessem parte de uma estratégia nacional do Ministério da Saúde. Em sua opinião, o estado de quarentena é um “remédio amargo” que pode ser aplicado gradativamente.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem