“O mundo inteiro está errado e o único certo é o Bolsonaro?”, diz Doria

Governador de SP repudiou campanha do governo federal que incentiva pessoas a voltarem às ruas: 'Você que ama a vida, fique em casa', disse

(Foto: Governo do Estado de São Paulo/SP)

(Foto: Governo do Estado de São Paulo/SP)

Política,Saúde

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez uma forte fala contra a campanha do governo federal que estimula a população a voltas às atividades rotineiras, e questionou quem seria o “fiador da morte” no Brasil em relação à pandemia do coronavírus, que já matou 78 pessoas e infectou mais de 3000 no País.

“Mais de 50 países estão em quarentena, lutando contra uma pandemia, que é a pior crise de saúde do mundo nos quase 100 anos. O mundo inteiro está errado e o único certo é o presidente Bolsonaro?”, indagou Doria, que participava de uma coletiva de imprensa em conjunto com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, no futuro hospital de campanha sediado no Estádio do Pacaembu.

O governador ainda questionou sobre a existência de “dois governos” em ativa no momento: um que decretou estado de calamidade pública, na semana passada, e outro que elaborou a campanha “O Brasil não pode parar”, que vai contra todas as indicações feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo próprio Ministério da Saúde. Para Doria, toda a verba utilizada na campanha publicitária deveria ser destinada ao combate do vírus no País.

“Temos um governo federal ou dois? Um que acerta na política pública, no técnicos do Ministério da Saúde, e outro que pega exatamente o contrario? Qual dos dois governa o Brasil? Esses 4,8 milhões de investimento para desinformar a população do Brasil deveria ser destinada ao atendimento aos mais pobres e à informação correta pra população brasileira”, disse Doria.

João Doria é o governador mais atacado na linha de tiro do presidente Bolsonaro, que critica os chefes estaduais por conta de medidas que, para ele, podem afetar a economia do País. No entanto, o isolamento social é apontado e adotado como a medida mais efetiva de diminuir a propagação do vírus, impedindo, assim, um maior número de casos graves e um colapso no sistema de saúde – situação que, segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta, deve ser realidade no Brasil já no mês de abril.

Doria se defendeu das acusações do presidente de que ele estaria fazendo política e pensando nas eleições de 2022, e afirmou que o Brasil precisava “discutir quem será o fiador da morte” no País caso o governo federal insista em ir contra o que prega os times técnicos do Ministério da Saúde. “Não é momento de fazer política, campanha, propagar ideologismos. Essa guerra de saúde, de vida, só será vencida se nós estivermos juntos”, disse o governador.

O governador ainda citou a fala do prefeito de Milão, que se desculpou pela campanha #MilãoNãoPara, feita em fevereiro na cidade que, hoje, é a província da Itália mais atingida pela Covid-19, registrando 32.346 casos de pessoas contaminadas e 4.474 óbitos, de acordo com balanço da Defesa Civil divulgado nesta quinta-feira.

“O resultado da irresponsabilidade em Milão representa 4400 italianos mortos e sepultados, que perderam sua vida porque acreditaram na mensagem que não era preciso parar. Será que em São Paulo, ou em outros estados, vamos precisar enterrar 4400 pessoas para ter a certeza de que o convite para irem às ruas é um erro? Antes que isso aconteça, você que ama a vida, siga as orientações do médicos, das autoridades que não tem medo de falar a verdade. Fique em casa.”, concluiu Doria, em um tom irritadiço.

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