Justiça

Servidores entram com ação contra o presidente do Ipea por contestar aumento da fome no Brasil

A denúncia também tem como alvo o ministro da Cidadania, Ronaldo Bento

Servidores entram com ação contra o presidente do Ipea por contestar aumento da fome no Brasil
Servidores entram com ação contra o presidente do Ipea por contestar aumento da fome no Brasil
O ministro da Cidadania, Ronaldo Bento e o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erik Figueiredo falam à imprensa no Palácio do Planalto. Foto: José Cruz/Agência Brasil
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O Sindicato Nacional dos Servidores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, apresentou uma denúncia na Procuradoria Regional da República contra o presidente da instituição, Erick Figueiredo, e o ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, por “abuso de poderes econômico, midiático e político” durante o período eleitoral.

A organização diz que, em 17 de agosto, os servidores do Ipea foram “surpreendidos” com a realização de uma entrevista coletiva em que Erick Figueiredo contestou pesquisas que apontam o aumento da insegurança alimentar e da fome no Brasil.

O alvo do presidente do Ipea foi uma pesquisa elaborada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, a Rede Penssan, que registrou neste ano a existência de 33 milhões de pessoas com fome no País.

Junto ao ministro da Cidadania, no Planalto, Figueiredo apresentou um “estudo” com o argumento de que o aumento da fome deveria ter resultado em um “choque expressivo” no crescimento das internações por doenças que decorrem da fome e da desnutrição.

Após a apresentação do material, pesquisadores da Rede Penssan manifestaram “incredulidade” e apontaram “equívocos conceituais graves” e “interpretação equivocada” do presidente do Ipea. Os estudiosos acusaram o material, ainda, de obter afirmação “absolutamente falsa”.

Na ação protocolada na terça-feira 29, os servidores argumentam que os agentes públicos devem zelar pelo conteúdo divulgado em meios institucionais, porque a propaganda institucional é proibida nos três meses que antecedem a eleição, e que o material “não possui grave e urgente necessidade pública”.

“É possível que a utilização da instituição para a produção subliminar de propaganda governamental em período de defeso eleitoral tem se configurado como abuso de poder político, devendo ser coibida pelas autoridades eleitorais competentes”, diz o texto.

Os servidores também declaram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “se beneficia ilegitimamente” da divulgação do material, que tentaria “induzir equivocamente o leitor e o eleitor que a fome diminuiu no País no governo atual”. Em declarações recentes, o próprio Bolsonaro tem contestado a existência da fome no Brasil.

CartaCapital procurou as assessorias do Ipea e do Ministério da Cidadania, mas não obteve respostas.

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