Política

Sem líder há dois meses, governo patina no Senado onde acumula derrotas

Ano eleitoral dificulta escolha do nome que vai representar o Planalto na Casa

Bolsonaro em discurso no Congresso. Foto: Pedro França/Agência Senado
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Passados dois meses desde que Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) deixou a liderança do governo no Senado, o Palácio do Planalto segue cercado de indefinições sobre quem vai cuidar da articulação na Casa Legislativa onde o presidente Jair Bolsonaro (PL) acumulou a maior quantidade de reveses. Os nomes mais fortes para assumir o posto, vago desde o dia 15 de dezembro, são Marcos Rogério (PL-RO) e Eduardo Gomes (MDB-TO), que já ocupa a liderança do governo no Congresso. A decisão, que se arrasta há semanas, deve ser tomada quando Bolsonaro voltar de viagem à Rússia, neste fim de semana.

Pesa contra Marcos Rogério seu plano de disputar o governo do seu estado, o que o fará ficar distante de Brasília no período de campanha eleitoral. Inicialmente, o senador resistia em aceitar a missão, mas recentemente passou a admitir a pessoas de sua confiança que aceitará o convite, caso ele seja formalizado pelo presidente. No Planalto, porém, integrantes do núcleo duro presidencial ponderam que a condição de candidato lhe tiraria o foco da capital federal.

Rogério já foi sondado por ministros do governo. Nessas conversas, ele tem dito que, se for o escolhido, faz questão apenas de que os acordos que vier a firmar no Senado sejam acolhidos tanto pelo Planalto quanto pelos ministérios. É comum parlamentares se queixarem de que promessas feitas por líderes de governo para conquistarem apoio em votações importantes não são cumpridas posteriormente por ministros, por exemplo.

Rogério ganhou destaque por sua atuação em defesa do governo durante a CPI da Covid, no ano passado. Além disso, recentemente, ele migrou do DEM para o partido do presidente da República, o que também conta a seu favor.

Já Eduardo Gomes teria que acumular a função com a liderança do governo no Congresso. Apesar de aliados argumentarem que a ideia é factível, embora inédita, o próprio Gomes tem dito que já possui trabalho suficiente no posto atual. Desde a saída de Fernando Bezerra, que entregou o cargo por não ter recebido o apoio do Planalto na disputa para uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), informalmente Eduardo Gomes vem desempenhando as duas funções. Uma alternativa que também vem sendo discutida seria deslocá-lo para a liderança do governo no Senado e buscar um deputado para assumir a liderança do governo no Congresso, mas os movimentos para isso sequer começaram a ser feitos. Gomes também tem sido sondado para migrar para o PL, mas o martelo não foi batido.

Ao ocupante da cadeira que está vaga desde dezembro cabe fazer a interlocução do Planalto com os senadores, principalmente com o presidente da Casa, além de representar o Executivo nas reuniões em que são decididos projetos a serem votados. Em ano eleitoral, os primeiros meses do ano são cruciais para viabilizar as principais votações. Neste momento, o governo discute, por exemplo, propostas para reduzir o preço dos combustíveis sem a presença formal de um líder.

Outro nome apontado como possível liderança seria o atual líder do PL, Carlos Portinho (RJ). Trata-se da alternativa menos provável, visto que ele defende posições contrárias às de Bolsonaro quando o assunto é vacinação. Na última segunda-feira, Portinho chegou a se encontrar com a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, mas não houve avanços nas conversas.

A dificuldade para encontrar um líder reforça os desafios do governo no Senado. Atualmente, o Planalto estima que possui uma base de no máximo 15 senadores, de um total de 81. Por isso, a escolha fica ainda mais restrita, sobretudo em ano eleitoral.

Nomes sondados para assumir a vaga por vezes preferem focar esforços em seus estados para garantir a vitória nas urnas. Foram justamente questões eleitorais que fizeram o favorito de Bolsonaro para assumir a liderança no Senado declinar do convite. O senador Alexandre Silveira (PSD-MG) chegou a ser anunciado pelo presidente, mas abriu mão do cargo por pressão do partido e porque tentará a reeleição.

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