Política

Quem é Gutemberg Reis, deputado indiciado por fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro

Investigadores apontaram a existência de uma associação criminosa que inseriu dados falsos no sistema da Saúde; deputado do MDB do Rio de Janeiro seria o intermediador

Dep. Gutemberg Reis (MDB - RJ) Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
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A Polícia Federal indiciou, nesta terça-feira 19, 17 pessoas pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema da Saúde após investigação do esquema de falsificação de certificados de vacina da Covid-19.

Entre os indiciados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ajudante de ordens da Presidência, o tenente-coronel Mauro Cid. O deputado federal Gutemberg Reis (MDB) integra também a lista de principais indiciados pelos crimes.

Segundo investigadores, o parlamentar do Rio teria fraudado o próprio cartão de vacinação, no mesmo esquema que envolve o ex-presidente. Ele foi alvo de busca e apreensão pela operação Venire da PF, em maio de 2023.

Reis é irmão do ex-prefeito de Duque de Caxias (RJ), Washington Reis (MDB) e de Rosenberg Reis (MDB), deputado estadual pelo Rio. A família do deputado atua politicamente há décadas em Duque de Caxias, a região onde a fraude foi posta em prática.

Segundo consta, o ex-capitão teria se vacinado nos dias 13 de agosto e 14 de outubro de 2022 no centro de saúde de Duque de Caxias. O ex-presidente, no entanto, sequer estava na região nessas datas, conforme informa a Força Aérea Brasileira.

Para os investigadores, Gutemberg teria atuado como intermediador da fraude.

Os dados sobre a imunização do deputado foram inseridos no sistema pela mesma servidora que teria excluído os dados da suposta vacinação do ex-capitão da plataforma do Ministério da Saúde.

Conforme os dados do SUS, Gutemberg teria sido vacinado pela primeira vez contra a Covid-19 no dia 16 de junho de 2022. Já a segunda dose teria sido aplicada em 18 de novembro do mesmo ano.

Ambas as doses teriam sido aplicadas no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.

Os investigadores ainda acharam suspeito o fato do servidor responsável por aplicar o imunizante no deputado ter atuado na vacinação apenas no dia em que ele teria tomado a primeira dose do imunizante.

Outro indício da suposta fraude recai sobre a data da inserção da imunização no sistema do SUS.

Os dados das duas vacinas aplicadas no deputado somente entraram no sistema na data da aplicação da segunda dose, prática não habitual.

As informações sobre a imunização foram inseridos no sistema pela servidora Claudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, também indiciada pela PF por envolvimento na fraude. Ela é chefe da Central de Vacinas de Duque de Caxias.

A ligação entre Claudia e a vacinação de Gutemberg Reis, junto dos demais indícios colhidos pela corporação, fez a Polícia Federal suspeitar do envolvimento do deputado com a suposta associação criminosa para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. O esquema beneficiou várias pessoas ligadas ao círculo ímtimo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do seu então ajudante, Mauro Cid.

Além disso, no dia em que o parlamentar teria sido vacinado, ele fez diversas publicações nas redes sociais que apontam que ele passou a semana em Brasília. Um dos posts consta uma foto de Oliveira ao lado do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que hoje responde por omissão ante os atos golpistas de 8 de janeiro.

Além desse inquérito, Reis foi citado em outro processo criminal movido pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro contra os três irmãos por parcelamento irregular de terreno para a construção de um condomínio em Xerém.

Em 2021, um veículo do deputado foi alvejado por tiros no bairro da Mantiqueira. Ele não estava no carro.

Na Câmara dos Deputados, ele é 2º vice-presidente da Comissão de Viação e Transportes, e atua em 32 frentes parlamentares.

À época da busca e apreensão, Reis negou qualquer fraude no cartão de vacinação, e disse que teve um problema no Conecte SUS, corrigido quando viajou à China, na comitiva de parlamentares que acompanharam o presidente Lula (PT).

Com o indiciamento, Gutemberg e os demais envolvidos figuram oficialmente como investigados no inquérito. Os crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas públicos de informações têm penas somadas de até 15 anos de prisão.

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