Política

PF indicia Bolsonaro, Cid e deputado por falsificação de certificados de vacinação

Investigadores apontaram a existência de uma associação criminosa que inseriu dados falsos no sistema da Saúde; outras 14 pessoas completam a lista de acusados

Bolsonaro, Mauro Cid e Gutemberg Reis. Os três foram indiciados pela PF por fraude nos cartões de vacinação. Fotos: Sergio Lima/AFP; Bruno Spada / Câmara dos Deputados; e Luis Macedo/Câmara dos Deputados
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A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema da Saúde após investigação do esquema de falsificação de certificados de vacina da Covid-19. O pedido de indiciamento é sigiloso e foi revelado pela jornalista Daniela Lima, do site G1.

Além de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, que era seu principal ajudante de ordens, e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB) também integram a lista de indiciados pelos dois crimes. Contra Cid pesa ainda a acusação pelo crime de uso de documento falso.

Com o indiciamento, Bolsonaro e os demais envolvidos figuram oficialmente como investigados no inquérito.

Os crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas públicos de informações, pelos quais Bolsonaro foi indiciado, têm penas somadas de até 15 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, Cid e Reis, a lista montada pela PF ainda apontam outras 14 pessoas como parte do esquema e, portanto, indiciados. São eles:

  • Gabriela Santiago Cid, esposa da Mauro Cid;
  • Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército que integrava a equipe de Mauro Cid;
  • Farley Vinicius Alcântara, médico que teria emitido cartão falso de vacina para a família de Cid;
  • Eduardo Crespo Alves, militar;
  • Paulo Sérgio da Costa Ferreira;
  • Ailton Gonçalves Barros, ex-major do Exército;
  • Marcelo Fernandes Holanda;
  • Camila Paulino Alves Soares, enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias;
  • João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias;
  • Marcelo Costa Câmara, assessor especial de Bolsonaro;
  • Max Guilherme Machado de Moura, assessor e segurança de Bolsonaro;
  • Sergio Rocha Cordeiro, assessor e segurança de Bolsonaro;
  • Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, servidora de Duque de Caxias;
  • Célia Serrano da Silva.

Relembre o esquema

As investigações apontam que os dados do cartão de vacinação do ex-presidente, da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, da filha do casal, Laura Bolsonaro teriam sido fraudados. Mauro Cid, sua esposa e filhos também se beneficiaram do mesmo crime.

A quadrilha, sob a batuta do ajudante de ordens, teria inserido dados falsos sobre a vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS, do Ministério da Saúde. Bolsonaro teria ciência dos fatos.

A PF descobriu que o usuário de Bolsonaro no aplicativo ConecteSUS, do Ministério da Saúde, emitiu pelo menos quatro certificados de vacinação fraudulentos em nome ex-presidente. Os documentos foram emitidos um dia após a inserção dos dados falsos no sistema.

Dias depois da emissão, Bolsonaro e sua família viajaram para Orlando, nos Estados Unidos, onde a comprovação da vacinação era obrigatória para a entrada no país. Os cartões de vacina foram posteriormente apagados.

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