Política

O apetite do Centrão por espaço no governo não se limita ao Turismo

Correios, Embratur e Funasa estão na mira de partidos. O Palácio do Planalto resiste em ceder espaços, mas discute as demandas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Cláudio Kbene/PR
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A troca no comando do Ministério do Turismo não foi suficiente para conter a ofensiva do Centrão, que voltou a enviar recados ao presidente Lula para tentar ampliar o controle de cargos de segundo e terceiro escalões.

Os pedidos foram levados ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, por lideranças partidárias nesta semana. Na mira das legendas estão os Correios, a Embratur e a Funasa, além de ministérios estratégicos. O Palácio do Planalto resiste em ceder muitos espaços, mas a reportagem apurou que houve “sinal verde” para discussões.

A “dança nas cadeiras” também esteve na pauta de uma ligação entre Lula e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O petista telefonou para o deputado na manhã desta sexta-feira 7 para agradecer pelo esforço na aprovação da reforma tributária.

No telefonema, o presidente teria manifestado interesse em atrair Republicanos, PL e PP para a base aliada, além de melhorar a relação pouco amistosa com o União Brasil. A expectativa é que as negociações avancem no recesso parlamentar, em julho.

Durante conversa com jornalistas, Padilha disse que o governo está aberto à discussão sobre a entrada de “outras forças políticas” no governo. CartaCapital já havia noticiado em março que o governo passou a negociar individualmente os cargos nos estados como forma de atrair parlamentares da oposição, principalmente do PL.

Sob o comando de Marcelo Freixo, a Embratur está vinculada ao Ministério do Turismo. O União Brasil, contudo, não deseja aceitar a pasta “com porteira fechada”, sem liberdade para indicar apadrinhados em postos estratégicos – o que ajuda a explicar a demora do Planalto para oficializar a nomeação do deputado Celso Sabino no comando da pasta.

A ofensiva também ocorre em relação aos Correios, sob o guarda-chuva do ministro Juscelino Filho (Comunicações). Atualmente, a empresa é comandada pelo advogado Fabiano Silva, coordenador do Grupo Prerrogativas e aliado de Lula, mas é alvo de pressão do União.

No caso da Funasa, a resistência do Planalto é ainda maior. Ao assumir a Presidência da República, Lula assinou decreto que extinguia a fundação, decisão posteriormente derrubada pela Câmara. Agora, o governo estuda fatiar a estrutura original do órgão e evitar que a movimentação seja vista com ressalvas por parlamentares.

Existe ainda o temor de que a volta da Funasa esvazie alguns ministérios recriados pela gestão de Lula às custas do remanejamento de servidores. Caso o Senado avance pela retomada das atividades do órgão, pastas que planejam utilizar os recursos gerados pela extinção, a exemplo dos Povos Indígenas, podem ser impactadas.

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