Política
Ministro do TSE proíbe Bolsonaro de usar imagens de discurso em Londres na campanha
O ex-capitão foi ao Reino Unido para acompanhar o funeral de Elizabeth II, mas transformou a viagem em uma tentativa de subir nas pesquisas
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral Benedito Gonçalves proibiu, nesta segunda-feira 19, o presidente Jair Bolsonaro (PL) de usar em sua campanha eleitoral imagens do discurso feito na sacada da embaixada brasileira em Londres no domingo 18.
Bolsonaro foi ao Reino Unido para acompanhar o funeral da Rainha Elizabeth II, mas transformou a viagem em uma tentativa de subir nas pesquisas de intenção de voto a duas semanas da eleição. Na embaixada, proferiu um discurso de tom eleitoral a apoiadores.
A decisão de Gonçalves acolhe um pedido feito pela presidenciável Soraya Thronicke (União Brasil), que apontou abuso de poder econômico e político pelo ex-capitão.
Segundo Gonçalves, após verificar o vídeo do pronunciamento do presidente, “constata-se que, na verdade, apenas a primeira frase diz respeito ao objetivo oficial da viagem de pêsames”. Na sequência, “Jair Bolsonaro passa a defender pautas de sua campanha eleitoral, em temas como drogas, aborto e gênero, fazendo-o, no entanto, em mescla com sua condição de Chefe de Estado, ao exarar, em nome de todo o ‘País’, a recusa em debater questões que, sabidamente, são campo de disputa política”.
Para o magistrado, “ao propiciar contato direto com eleitores e favorecer a produção de material de campanha, é tendente a ferir a isonomia, pois explora a atuação do Chefe de Estado, em ocasião inacessível a qualquer dos demais competidores, para projetar a imagem do candidato”.
Gonçalves também determinou a remoção de postagens do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com registros do discurso em Londres, sob pena de multa de 10 mil reais.
Bolsonaro vive situação delicada na disputa eleitoral. O ex-presidente Lula (PT) tem 52% dos votos válidos e pode vencer o pleito no primeiro turno, segundo uma pesquisa Ipec publicada nesta segunda-feira 19, encomendada pela TV Globo.
Considerando a margem de erro, o petista tem entre 50% e 54%. Para triunfar na primeira rodada, ele tem de obter mais de metade dos votos válidos, excluindo nulos e brancos.
Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 34%, seguido por Ciro Gomes (PDT), com 7%, e Simone Tebet (MDB), com 5%. Soraya Thronicke (União Brasil) tem 1%.
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