Política

Lula pede apoio reforçado de evangélicos: ‘Não imaginava que mentiras pelo celular tinham tanta força’

O ex-presidente divulgou nesta quarta-feira uma carta direcionado aos cristãos e pediu ‘esforço final’ dos aliados para vencer a eleição

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Lula (PT) pediu, nesta quarta-feira 19, apoio aos evangélicos para convencer seus colegas de religião a votarem nele nesta disputa de segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL).

Conforme defendeu em encontro realizado em São Paulo, onde foi lida a carta aos cristãos , é preciso um ‘esforço final’ para conversar e convencer outros evangélicos que estão sendo alvo das mentiras do bolsonarismo.

“Entre nós e Bolsonaro não há que ter dúvida. Eu acho que você todos poderiam colaborar um pouco mais, sabendo que tem pessoas que não gostam da gente, conversar e saber qual a dúvida que tem. É preciso convencer”, pediu Lula ao final do seu discurso.

Mais adiante, mostrou espanto com o poder de adesão entre os cristão das mentiras contadas sobre ele e o PT neste ano. “Eu não imaginava que as mentiras pelo celular tinham tanta força pela internet. Eu não imaginava o poder de multiplicação de mentiras que tem o zap”, admitiu. “E eles tem uma fábrica [de mentiras]”, alertou em seguida.

O petista disse que seu espanto se dá pelo fato de que as mentiras são tão absurdas que parecem inacreditáveis. “As acusações são as mais berrantes possíveis. Tem coisa que eu não acredito que alguém possa acreditar, é absurdo, mas eles falam e tem gente que acredita”, disse antes de criticar pastores que difundem as fake news.

“Tem gente que acredita porque quem fala é um pastor que dentro da igreja é uma autoridade. Ele não pode usar da autoridade para mentir, isso depõe contra a igreja”, destacou. “Eu não considero um pastor que mente como pastor. Não é possível alguém viver de contar mentiras, não respeitar uma criança que vai com a mãe na igreja e ficar mentindo”.

Lula aproveitou vários minutos para rebater acusações de que fecharia igrejas caso fosse eleito ou que defenderia pautas como o aborto e a instalação de banheiros unissex. “Desde que eu e outros companheiros criamos o PT a gente vive tendo que se explicar. Não é a primeira vez que fazemos carta aos evangélicos”, disse. “As dúvidas que colocam sobre a gente são a arma para evitar que a gente possa vencer a tarefa de ganhar a eleição”.

“A família pra mim é uma coisa sagrada”, disse em determinado momento. “Agora inventaram a história do banheiro unissex …gente, eu tenho família, tenho neta, bisneta…só pode ter saído da cabeça de satanás a história do banheiro unissex”, rebateu em outro.

Os temas, vale dizer, já haviam sido abordados em sua carta lida minutos antes. O texto conta com vários acenos aos evangélicos, em especial, no que diz respeito a pautas morais. A intenção, como destacou no evento, é reafirmar seu compromisso com a liberdade religiosa e de valorização das igrejas.

“Quando resolvi fazer a carta é por respeito a vocês. Sei o quanto as pessoas sérias sofrem para enfrentar as pessoas mentirosas”, justificou Lula após a leitura do texto. O documento, vale dizer, era esperado há dias pela campanha. Inicialmente, conforme registrou CartaCapital, Lula evitava produzir as cartas a qualquer público, mas foi convencido após os recentes escândalos morais envolvendo Bolsonaro. Desde então, os religiosos passaram a dominar parte significativa da agenda do petista.

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