Política

Lei que restringe saídas temporárias pode criar instabilidades nos presídios, alerta DPU

O órgão endossou o veto de Lula à lei e disse que os congressistas também deixaram de analisar os impactos financeiros da proposta

Lei que restringe saídas temporárias pode criar instabilidades nos presídios, alerta DPU
Lei que restringe saídas temporárias pode criar instabilidades nos presídios, alerta DPU
Foto: Arquivo/Agência Brasil
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A Defensoria Pública da União (DPU) afirmou, nesta terça-feira 16, que as mudanças promovidas pelo Congresso Nacional para endurecer a concessão das saídas temporárias têm potencial de criar “instabilidades nos presídios brasileiros”. Além disso, pontuou que as novas regras afrontam “o princípio da dignidade da pena”.

O projeto foi aprovado em março e entrou em vigor na semana passada, quando foi parcialmente sancionado pelo presidente Lula (PT). A proposta acabava com as saídas temporárias para visita a familiares e atividades de convívio social, mas estes trechos foram vetados pelo petista. Agora, o Congresso Nacional pode derrubar os vetos.

Até então, a legislação estabelecia que presos em regime semiaberto que tivessem cumprido um sexto do total da pena e apresentassem bom comportamento poderiam deixar o presídio por cinco dias para visitar a família em feriados, estudar fora ou participar de atividades de ressocialização.

Outros trechos do projeto, porém, foram mantidos. Um deles exige a realização de um exame criminológico, em que o preso é ouvido por um grupo de profissionais responsáveis por avaliar seu perfil psicológico e decidir se ele está apto ou não à progressão da pena.

No comunicado divulgado nesta terça, a DPU menciona o tamanho da população carcerária brasileira, com mais de 700 mil presos, e destaca que o Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou haver um “estado de coisas inconstitucional” no sistema penitenciário, em razão das péssimas condições dos presídios.

O órgão endossou o veto de Lula à lei e disse que os congressistas deixaram de analisar os impactos financeiros da proposta, que tende a aumentar os gastos dos estados com as unidades prisionais.

“As alterações propiciadas pela Lei nº 14.843/2024 afrontam tanto o princípio da dignidade da pena, que garante a presas e presos o respeito à sua integridade física e moral quanto o princípio da individualização da pena, por limitar progresso na ressocialização de apenadas e apenados apesar de seu bom comportamento”, escreveu a DPU.

Com o objetivo de evitar insegurança jurídica em relação ao tema, o governo federal pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que regulamente a nova lei e estabeleça os critérios que nortearão o trabalho dos juízes na concessão do benefício. Além disso, o CNJ foi instado a fixar diretrizes para o exame criminológico.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também manifestou apoio ao veto de Lula. Parlamentares de oposição têm dito, no entanto, que os vetos devem ser derrubados pelo Congresso.

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